Representantes de oito partidos aliados do governo (PCdoB, PT, PDT, PRB, PSB, PSL e PSD) conclamando os professores em greve a voltaremàs salas de aula e dizendo que repudiam quaisquer atos movidos por interesses escusos cujos objetivos são claramente constranger e desgastar o governo que apoiamos .
Entre os governistas, há a convicção de que Rui Oliveira, que é do PCdoB, dirigente da APLB e líder da greve, perdeu o controle do movimento para o PSOL e o PSTU.
Enquanto isso, os professores em greve na Assembleia distribuíram panfletos com os 12 deputados estaduais governistas que pretendem disputar as eleições deste ano, mais Nelson Pelegrino, com a clássica recomendação:
Não vote neles .
Pelos corredores, os grevistas se queixam de que o PCdoB não está dando apoio logístico à greve. Cortou combustível e quentinhas. Mesmo assim, Alice Portugal foi poupada. (Tempo Presente)






























Estou muito triste hoje, pois vivo em um país em que tudo funciona ao contrário. Aqueles que lutam pelo cumprimento das leis são os vilões e aqueles que camuflam a verdade é que tem voz e espaço garantido de expressão.
Atribuir um movimento em prol da valorização (mínima) dos profissionais de educação a interesses meramente partidários é um ato covarde que pretende esvaziar os sentidos dos movimentos sociais. É claro que prepostos políticos partidários estão infiltrados em todos os movimentos, no entanto quem faz acontecer são as pessoas anônimas que dão sua cota de sacrifício diário e futuro.
No caso dos professores, são mais de 30 mil em greve, estão sem salários, sem possibilidades de contraírem empréstimos, sem espaços nas mídias tradicionais e estarão, independentemente do resultado de seu pleito, com suas vidas comprometidas com o excesso de trabalho quando retornarem da greve e o que é pior, caso não saiam vitoriosos, terão que retornar as suas labutas diárias para ensinar aos alunos a serem cidadãos.
Como?! Cidadão é quem tem direito e deveres, mas os professores do estado da Bahia só tem deveres! Como irei ensinar aos meus jovens alunos que “eles são sujeitos da história”, que “é preciso ter esperança e lutarmos juntos por dias melhores”, como vou explicar que o Brasil é “uma república federativa, dividida em três poderes” e que “o poder emana do povo”???
Nesse longo período em que estamos em greve, assisti atônita ao silêncio da sociedade civil, a conivência do Legislativo estadual com relação as arbitrariedades do governo e a omissão do Ministério Público. Pensava eu que o Judiciário era um poder que zelava pelo cumprimento das leis, mas sinto na carne que isso não é verdade!
Todos perdem com essa greve: Os alunos, por terem seus percursos e processos de aprendizagem interrompidos; a sociedade por afirmar através do seu silêncio que não se importa com a educação dos nossos jovens; perdem aqueles que estão se preparando para se tornarem professores; perdem os contratados em forma de REDA e PSTs, subempregados da educação, que continuarão a trabalhar meses consecutivos sem receber seus salários aviltantes; perdem os professores que não quererão mais investir na carreira; perdem os políticos, pois ninguém mais acredita que eles possam governar o país em favor do bem público. Há muito tempo que todos sabemos disso!
Qual será o futuro dessa democracia em que o povo é o que menos importa, em que as instituições não funcionam e onde todos os que lutam por dias melhores são os criminosos?
Estou muito triste hoje! Mesmo assim procuro me embalar com o coro de Thiago de Mello que diz: “faz escuro, mas eu canto”.
o problema é mais sério do que se imagina, na verdade, no Brasil, educação é lixo, não há nenhuma valorização pelo mestre, pelo aluno,respeitoàs novas gerações por parte daqueles que só querem o seu voto e o emprego na politica de péssimo cidadão, mas eles não estão nem aí…
É deveras constrangedor imaginar que em um estado como o nosso, milhões de vidas juvenis estão relegadas ao desprezo assim como a vida e morte de milhares de profissionais, os da educação, também estão em igual relego.
Fui estudante de escola pública e acredito que esta organização deveria ser a mais importante de um estado; deveria ser entendida como sua riqueza.
Habitamos uma faixa brasileira onde 17,7% da população vivem em condições de miséria, o maior ranking da Pátria amada Brasil.
Segundo o IBGE temos em nossa população 6,1% de crianças com idade entre 10 e 14 anos analfabetas e mais, 16,6% dos com idade a partir de 15 anos têm o mesmo grau de educação.
Ouvimos os diálogos e propagandas dos governantes falando no desenvolvimento social e econômico do estado e me pergunto.
Como desenvolver um estado se sua população está cada vez mais sem o mínimo de educação? Como pensar em desenvolvimento sem investir na educação de base e por tabela nos docentes?
O Senador Cristovam Buarque em uma das suas alfinetadas em prol da educação, sugeriu e encaminhou um projeto qual, obrigaria a todos os filhos de agentes públicos eleitos, serem matriculados em escolas públicas. É uma utopia acreditar que isto aconteça. O ilibado Cristovam perdeu seu tempo escrevendo algo que nunca vai acontecer afinal, para estes agentes públicos o é esta tal de escola pública. É algo sem valor, sem importância, sem significado. Eles não estão lá, os filhos deles também não.
Mas estão lá àquelas pessoas que são obrigadas e terem um titulo eleitoral e em épocas especiais, quando todos os brasileiros “inclusive os 16,6% dos analfabetos baianos” tornam-se importantíssimos.
É aí onde reside a resposta ao desvalimento à escola pública. Quanto menos educados, menos questionadores. Isso chama-se investimento a longo prazo contando cos os outros 6,1% com idade entre 10 e 15 anos e logo estarão votando sem saber em que, quem e por que.
Neste contexto é interessante relembrar dois fragmentos do discurso da segunda posse do atual Governador do Estado:
…
Governar consultando, dialogando. Às vezes, demoram mais, mas seguramente são mais eficientes, mais duradouras as soluções encontradas pela via da participação e do diálogo social. Foi assim com os empresários, foi assim com os trabalhadores, foi assim com as religiões, com os movimentos sociais, com as lideranças, com os partidos políticos.
Reafirmo meu compromisso de fortalecer o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, espaço de diálogo e participação da sociedade civil dentro da sua pluralidade, contemplando a diversidade e a riqueza de ideias desse verdadeiro caleidoscópio baiano.
Nunca perdemos de vista o nosso compromisso de promover uma verdadeira revolução democrática no nosso estado, na qual desenvolvimento é inseparável de democracia e de inclusão social.
Este, para mim, é o valor fundador daquilo que a gente está fazendo. Esta é a bússola do nosso projeto político, capitaneado pelo presidente Lula, que deu certo no Brasil e que introduzimos na Bahia. Mudamos a concepção do que é governar.
Antes se falava em crescer o bolo para depois repartir. Provamos o contrário: só se cresce repartindo riqueza, incluindo socialmente. Para nós, este é o verdadeiro significado da palavra desenvolvimento.
Para nós, governar é ter prioridade, e a nossa prioridade são os que mais precisam: o povo trabalhador, o povo mais humilde da cidade e do campo, as mulheres, os índios, os negros. Em suma, todos aqueles que ao longo da nossa história foram tão injustiçados e até esquecidos.
É para estes que voltamos nossos olhos e estendemos nossas mãos em primeiro lugar.
Tudo nasce de um sonho. O nosso sonho é um Estado mais justo, uma terra de todos nós.
A maior virtude de um ser humano é a de poder passar do sonho à realidade e ter sempre no horizonte uma utopia a ser alcançada. É isso que dá sentido à vida e nos faz caminhar. …
…
Enfrentamos o desafio de resgatar o ensino médio. Empreendemos a difícil missão de recuperar nossa rede física.
Democratizamos a gestão das escolas. Asseguramos formação continuada e valorizamos os profissionais de educação.
Fortalecemos as universidades e levamos a educação profissional para todos os territórios baianos.
Esse trabalho vai continuar. Mas sabemos que nossa educação só evoluirá de fato se fizermos uma grande transformação no ensino básico.
É por isso que no governo que iniciamos hoje daremos força total à ideia de fazer um grande pacto pela educação.
Esse pacto, que envolverá diretamente as prefeituras, tem que unir as forças da sociedade baiana, pais, alunos, professores e gestores pelo objetivo comum de melhorar o ensino básico em todos os municípios, e assim provocar uma grande mudança na educação do nosso estado.
Nossa meta é que todas as nossas crianças possam saber ler e escrever com fluência e compreensão.
Também estamos persistindo no sonho de transformar a cultura em um bem coletivo e não apenas apropriado por poucos.
Cultura é hoje parte das nossas políticas de inclusão social, de verdadeira preservação das nossas raízes e do nosso patrimônio material e imaterial.
O melhor é que expandimos e democratizamos nossas políticas culturais, através dos editais públicos, e o interior do estado passou a ser contemplado dentro do nosso objetivo de levar mais cultura para mais baianos.
————–
De imaginar que a escola pública, além de alimentar mesmo que precariamente a alma das crianças com a educação, alimenta também o corpo com a merenda escolar.
Então imagina-se que milhares de baianos que não estão nas escolas estão também sem uma importante alimentação corporal que para muitos é a única do dia.
Concluindo: é natural aceitar que a morte está para todos, mas é justo matar os sonhos dos mais injustiçados?
Educação é realização, é esperança, é liberdade é vida e ninguém deveria ter o poder de atrapalhar, impedir ou evitar isso.
Concordo com o “emissário do governo” acima, desde que, ele reconhecça, que quem está cerceando as crianças e os adolescentes do direito à educaçãoa, à merenda, ao sonho, à cultura, a um futuro mais promissor, é o governador Jaques Wagner, que se negou a cumprir um acordo e uma lei, que não negociou com a categoria, que cortou salários, que coloca notas mentirosas na TV para confundir a população, que recorreu para não pagar salários e que engana a todos quando vai à TV dizer que estava trazendo uma proposta “irrecusável” e, caso não aceitassem, nós professores é que seríamos intransigentes!