
É forçoso reconhecer que a decisão do PSDB de apoiar a candidatura de ACM Neto (DEM) é mais uma traulitada das que o deputado Antonio Imbassahy (PSDB) tem tomado da política desde que deixou o carlismo – em 2005, portanto fora do poder, ao contrário do que “despretensiosamente” insinua.
Passada a fase da euforia pelo que correspondia a uma libertação, o ex-prefeito enfrentou duas vezes as urnas em três anos. Foi terceiro para o Senado em 2006 e quarto para prefeito de Salvador em 2008.
A primeira eleição teve uma só vaga, vencida por João Durval (PDT), com Rodolfo Tourinho (DEM) em segundo e Imbassahy na terceira colocação com 18%. Já para prefeito, teve 108 mil votos, menos do que receberia para deputado dois anos depois.
Candidatura em 2008 foi uma ameaça – Aí é que está o problema: com um currículo desses, caberia a ele próprio interpretar a realidade e concluir que, pelo menos desta vez, não daria. Não se pode ser candidato por voluntariedade, não se pode fazer política pelo humor.
Bem a propósito é a lembrança do pleito de senador. O candidato imaginava-se o preferido de forças que terminaram migrando para Durval, cujo filho, João Henrique, exercia o primeiro mandato em Salvador.
Consumada a derrota, tal foi a ira de Imbassahy que prometeu, naqueles mesmos momentos, disputar a Prefeitura da capital em 2008, numa ameaça presunçosa a um prefeito enfraquecido, cuja salvação só ocorreu por interferência do PMDB.
Lidando mal com a realidade política – Convém dizer que, ao deixar o então PFL, Imbassahy trocou de lado na política baiana mas permaneceu oposição no plano federal, naquela esdrúxula situação que durante anos caracterizou a relação tucano-petista na Bahia, desfeita afinal no episódio da saída do deputado Marcelo Nilo para o PDT.
Imbassahy fez, então, um movimento no sentido inverso ao original, tornando-se novamente adversário dos petistas estaduais, num processo de crítica ao governador Jaques Wagner que até aborreceu Nilo, que foi uma espécie de seu avalista junto a Wagner na campanha de 2008.
Toda esta digressão deveria ser mais curta, mas estendeu-se. Seu objetivo era apenas perfilar Imbassahy, que, na verdade, não é um político nato. Era um técnico competente, fornido, desgraçadamente, no seio do autoritarismo, em cujo nome exerceu seu mandatos. Não pegou cancha de berço e constantemente dá com os burros n’água.
Outras lambanças da mesma origem – Apenas para não deixar passar em branco: outro candidato à Prefeitura, este ainda no páreo, tem muitas semelhanças – bem como também muitas diferenças – com Imbassahy. É Mário Kertész, da mesma competência técnica, mas muito dado às lambanças e descompromissos na política.
Recém-pulado do carlismo em 1981, elegeu-se prefeito quatro anos depois numa aliança que incluiu até o incendiário PCdoB da época. O castelo virou escombros pela falta de norte ideológico do “chefe”, que tinha evidente preferência por um projeto pessoal e intransferível. Kertész retornaria ao carlismo, mas apenas para colecionar derrotas eleitorais. (Por Escrito)






























