
JORNAL DA MÍDIA
O 1º de Maio foi triste na Bahia. Não houve comemorações, manifestações, protestos, passeatas, debates, discussões, argumentações. Afinal, comemorar o que? A Bahia continua liderando as estatísticas de desemprego no País. Para piorar, a relação do governo baiano do PT com o seu funcionalismo nunca esteve tão ruim.
É espantoso como o governo Jaques Wagner se relaciona mal com os trabalhadores. Chega a ser constangedor para sindicalistas e servidores públicos – boa parte deles, é bom que se diga, eleitores do Partido dos Trabalhadores.
É um governo que não consegue negociar, convencer, se articular, persuadir, cumprir o que promete, fazer valer o que se assina. Conclusão: é um governo que não merece confiança.
Primeiro foi a greve da Polícia Militar, que só terminou – que ninguém se esqueça – graças à força da Rede Globo. O saldo: dezenas de assassinatos (quase todos eles até hoje sem qualquer investigação ou solução), roubos, assaltos, furtos e a imagem da Bahia dilacerada mundo à fora.
Agora é a vez dos professores. O governo, de novo, não consegue negociar e convencer os trabalhadores. Resultado: a paralisação se arrasta, prejudicando mais de um milhão de estudantes em todo o Estado.
É um governo que não consegue negociar, convencer, se articular, persuadir, cumprir o que promete, fazer valer o que se assina. Conclusão: é um governo que não merece confiança
Sem William Bonner para ajudar desta vez, o governo resolveu então cortar boa parte dos salários dos professores do mês de abril. Muitos profissionais da educação receberam apenas R$ 200, numa humilhação pouca vezes vista na história recente da Bahia. Diria mais: nem ACM, no auge do regime militar, ousaria cometer tamanha maldade.
E se tudo isso tivesse acontecido em um outro governo?
Certamente, o 1º de Maio na Bahia seria bem mais animado e renderia boas pautas, matérias e fotografias.
Dá até para imaginar a cena: lideranças do Partido dos Trabalhadores e da esquerda baiana, tendo à frente figuras importantes, como o próprio Wagner, o deputado Nelson Pelegrino, os senadores Walter Pinheiro e Lídice da Mata, estudantes secundaristas, sindicalistas, a CUT, a UNE e milhares de professores estariam nas ruas de Salvador protestando, gritando palavras de ordens, defendendo o fim do arbítrio e uma educação de qualidade.
Teríamos discursos inflamados. Entrevistas dos nossos deputados e senadores cobrando um piso salarial decente para a categoria, a valorização dos professores, a distribuição de benefícios etc etc. Muitos aplausos. No final, o Hino Nacional e abraços nos companheiros trabalhadores.
Mas vamos voltar à nossa deprimente realidade.
A greve dos professores vai acabar logo, logo. Disso ninguém tem dúvida. Até porque a fome, contas atrasadas, a energia cortada, a falta de água acaba doendo, incomodando, e não há quem resista a tanto sofrimento. O governo aposta nisso para minar o movimento grevista.
E quando a greve acabar vai acontecer exatamente o seguinte:
Primeiro, o secretário de Educação vai apresentar um calendário de reposição de aulas e vai garantir, jurar por todos os santos desta terra que os 30/40 dias sem aula em nada vão prejudicar o ano letivo na Bahia.
É MENTIRA. NÃO ACREDITE NISSO.
Depois, o mesmo dirá que o governo, sensível às causas dos trabalhadores e num gesto de boa vontade, resolveu pagar integralmente o salário de abril.
NÃO ESQUEÇA: É OBRIGAÇÃO DO GOVERNO PAGAR SEU SALÁRIO INTEGRALMENTE.
Em seguida, dirá que o governo continuará negociando para cumprir todos os acordos com os professores, que o governo é sensível às reivindicações da categoria, que o Estado está investindo uma fortuna para valorizar o magistério.
ACREDITE SE QUISER.
Finalmente, virão deputados, senadores e vereadores, os oportunistas de sempre, para dizer que estão sempre à disposição dos sindicatos e dos professores para negociar junto ao governo, que estão aberto ao diálogo ou coisa parecida.
NÃO ESQUEÇA: TEREMOS ELEIÇÕES ESTE ANO.
Em resumo: o 1º de Maio na Bahia foi a cara do governo baiano. Assim: mediano, sem sal e sem açúcar, beirando a mediocridade.
































Como podem tratar dessa forma profissionais tão sacrificados como os professores da escola pública? Será que elegemos um bando de medíocres que só consegue trilhar o caminho mais fácil, o da arbitrariedade e da mentira? Aliás, o partidão tem demonstrado que é muito bom na prática de “uma mão lavar a outra na água suja”.
Quem quiser saber o que é escola pública estadual, precisa frequentá-la. Além da maioria das escolas parecer um confinamento, sem espaços para atividades físicas e de entretenimento, falta base para aprender as disciplinas regulares; falta professores apropriados para as disciplinas que lecionam; falta material e merenda escolar; falta segurança; falta … falta…
“triste bahia oh quão dessemelhante…”. que paga o “pato” são os estudantes, eternos prejudicados, aliás muitos VOTANTES. devem fazer valer o poder nas eleições. é o que esperamos da juventude maltratada.
Pelo menos o PT na Bahia já deixou cair a máscara, cabe ao povo se conscientizar e saber votar. Policiais, médicos da rede pública e os professores não se enganam mais. Esse tem sido o pior governo, nosso Estado não merece !
e não se assuste: Esse maldito vai ressuscitar o carlismo na Bahia.
Em tempo: Pellegrino, o pelego mor, foi vaiado no 1º de maio e nem conseguiu fazer seu discurso hipócrita. Vai perder feio (ou melhor dizendo: BONITO) a eleição em Salvador para ACMneto. Sou ex militante do PT, professora, e vou votar na direita, em atenção ao que ensinou Lenin: “Um passo em frente, dois atrás”. Essa lição aprendi com o governo petista.