China intensifica censura na internet após escândalo político

Policial impede fotógrafos na sede central do Partido Comunista da China, após a demissão do político Bo Xilai (Mark Ralston/AFP)
Policial impede fotógrafos na sede central do Partido Comunista da China, após a demissão do político Bo Xilai (Mark Ralston/AFP)
A China fechou 42 sites desde meados de março e apagou mais de 210.000 mensagens de usuários de internet para tentar acabar com a onda de boatos na rede, anunciou a agência oficial Xinhua (Nova China), em meio ao escândalo político sobre o ex-dirigente Bo Xilai por lutas internas do regime.

As autoridades intensificaram a censura na rede desde a destituição em março de Bo, ex-líder do Partido Comunista da China (PCC) em Chongqing (sudoeste), uma megalópole de 33 milhões de habitantes, o que desencadeou uma onda de rumores na internet sobre lutas na cúpula do poder e até um possível golpe de estado. A agência oficial não revelou, em um breve comunicado, os sites fechados nem as mensagens suprimidas.

Nesta quinta-feira, dois dias depois do anúncio da suspensão das atribuições de Bo Xilai no gabinete político do Partido Comunista da China e da prisão de sua mulher por suposto envolvimento no assassinato de um empresário britânico, o regime bloqueou as palavras mais procuradas na rede: “investigação”, “luta política” e os nomes dos protagonistas do escândalo.

O governo instalou um grande sistema de censura na internet com “policiais da rede” que impedem a publicação de informações sensíveis.

Mas a popularidade das redes sociais de mensagens instantâneas – mais de 300 milhões de contas abertas no país – abrem um novo desafio: as notícias são rapidamente censuradas. No início do mês, as autoridades chinesas anunciaram o fechamento de 16 sites e a detenção de seis pessoas, acusadas de divulgar boatos. Também determinaram o veto por três dias a comentários públicos nos dois maiores microblogs do país, Sina e Tencent. Páginas internacionais, como Facebook, Twitter ou Youtube, já eram censuradas.

O departamento responsável pela rede anunciou que mais de 1.000 pessoas foram detidas desde fevereiro por crimes na internet e mais de 3.000 sites foram advertidos.

Os analistas interpretaram o fechamento recente de sites e as restrições impostas aos microblogs como um sinal do nervosismo crescente do regime, antes do Congresso do PCC no outono (primavera no Brasil), que prepara uma transição política condicionada, pela primeira vez, na era das redes sociais. (Veja)

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