Redação do
JORRNAL DA MÍDIA
O despejo que a Agerba (Agência de Regulação da Bahia) promoveu no Terminal Rodoviário de Bom Despacho, na Ilha de Itaparica, tirando na última segunda-feira (26) a concessionária TWB, que também explora o sistema ferryboat, foi provocado por uma série de irregularidades, que, aliás, são uma marca da atuação da empresa paulista em território baiano, desde que aqui aportou, em 2005. A TWB estava explorando o terminal sem qualquer licitação pública.
Apesar de a Agerba ter executado, somente agora, a ação, o despejo já era para ter acontecido desde 2009, três anos atrás.

E, é bom que se diga, não foi nenhuma ação especial da agência de regulação que, sem autonomia para nada graças à ingerência política que sofre, partindo principalmente da Secretaria de Infraestrutura comandada pelo vice-governador Otto Alencar, nada poderia fazer mais para deixar de cumprir a decisão do Ministério Público da Bahia.
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A autora da ação contra a TWB no Ministério Público da Bahia foi a empresária Lenise Ferreira, presidente da Associação Comercial de Vera Cruz. Portanto, não foi nenhuma iniciativa própria da Agerba. Em sua denúncia, Lenise Ferreira mostrou que o Terminal Rodoviário de Vera Cruz estava sendo explorado irregularmente pela TWB. A concessionária tinha assumido o terminal e entregue sua gestão a uma fundação de nome “São Vicente”.
“Em 2009 fui informada por um então diretor da Agerba que a TWB não poderia nunca estar à frente do Terminal, através de uma fundação de nome São Vicente, cujo presidente é Jayme Rangel, atual diretor da concessionária e ex-funcionário da Agerba. Um verdadeiro escândalo. Entrei com a ação no MP e em 2010 já estava prevista a desocupação do terminal, mas um diretor da Agerba (Renato Andrade) não fez de forma muito estranha a intervenção”, contou Lenise.
O JORNAL DA MÍDIA contactou hoje o diretor da Agerba que denunciou a irregularidade para Lenise Ferreira. Ele confirmou a versão da empresária.
“A exploração do Terminal Rodoviário de Bom Despacho pela TWB era ilegal e imoral. Existe processo desde 2008 na Agerba apontando todas as irregularidades. Alguém negligenciou, e se foi em beneficio próprio não é meu o problema. Repito, está lá no processo que a Agerba teria que tirar imediatamente a TWB do terminal. Se está fazendo somente agora, só a Agerba pode explicar”.
Quem entregou o Terminal Rodoviário de Bom Despacho à TWB foi a diretoria da Agerba que operou na agência até janeiro de 2007. Mas a TWB passou todos os primeiros cinco anos do governo Wagner explorando irregularmente o terminal.
Segundo esse ex-diretor da Agerba, a diretoria que estava até 2009 mostrou para o governo a irregularidade, mas a ”coisa” foi deixada de lado. Com certeza, acredita ele, por ordem superior.
Em 2010, o Ministério Públicou determinou que a Agerba obrigasse a TWB a desocupar imediatamente o equipamento. Mas o então diretor-executivo da autarquia, Renato Andrade, decidiu abortar a intervenção.
Renato Andrade, conhecido também como o “Maluquinho da Agerba” tinha se tornado um grande amigo do dono da TWB, o Pinto dos Santos. Comenta-se nos bastidores da Agerba que o “El Loquito” (também era conhecido assim) também recebia ”ordens de outras instâncias” para atender aos pleitos da TWB.
A história, caros leitores, é muito complicada e ninguém sabe realmente até onde vai essa relação TWB-Governo do Estado. Só ressuscitando a Madame Beatriz. Ou, se for o caso, alguma versão baiana de Carlinhos Cachoeira.
Enquanto isso, só mistérios e muitos mistérios nos corredores da esfera governamental. O sistema ferryboat está no fundo do poço. O serviço segue ordinário e caótico. Mas até secretários de Estado aparecem, principamente nas rádios da vida, para defender a TWB.
































