O cantor Netinho morreu na manhã desta terça-feira (13), em Salvador, aos 60 anos. Um dos nomes conhecidos da axé music, o artista enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, diagnosticado em março de 2025. A doença evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos, segundo comunicado divulgado por sua assessoria nas redes sociais.
Dono de uma voz que atravessou gerações, Netinho conquistou o Brasil com músicas como “Milla”, “Beijo na Boca”, “A Vida É Festa” e “Vem Me Dar Um Beijo”. Suas canções se tornaram parte do repertório do Carnaval e ajudaram a projetar a música baiana para além dos circuitos de Salvador.
A despedida, porém, será reservada. Por desejo expresso do próprio cantor, o velório e a cremação ocorrerão em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos. A assessoria pediu respeito à privacidade da família neste momento.

De Santo Antônio de Jesus para o Brasil
Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Netinho mudou-se para Salvador com a família aos nove anos, após a morte do pai em um acidente de carro.
Foi na capital baiana que construiu sua trajetória musical. Ganhou projeção nacional como vocalista da Banda Beijo, com o sucesso “Beijo na Boca”, antes de seguir carreira solo no início dos anos 1990.
Em 1996, lançou “Milla”, música que se tornaria o maior sucesso de sua carreira. A canção, uma regravação de uma composição associada à banda Jheremmias Não Bate Córner, antecessora do Jammil e Uma Noites, ganhou vida própria no repertório do axé e atravessou décadas como um dos hits mais reconhecidos do gênero.
Netinho construiu sua identidade artística em um período de expansão nacional da música baiana. A energia das apresentações, a presença nos trios elétricos e a proximidade com o público fizeram dele uma figura recorrente no Carnaval e em grandes eventos pelo país.
A doença e os últimos meses
O primeiro diagnóstico de linfoma não Hodgkin ocorreu em março de 2025, depois que o cantor sentiu fortes dores nas pernas e nas costas. Na ocasião, ficou internado por 25 dias. Após o tratamento inicial, recebeu alta e chegou a retomar a agenda de shows.
Em 2026, a doença voltou, e Netinho retomou a quimioterapia. Nos últimos meses, reduziu as atividades públicas para se dedicar ao tratamento. A evolução do quadro clínico levou às complicações que provocaram sua morte.
Apesar da gravidade da doença, a mensagem divulgada pela equipe revela como o artista encarava a própria trajetória. Durante o tratamento, costumava falar sobre a vida com gratidão e sobre a relação construída com o público.
“Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte”, dizia.
Uma história ligada à música baiana
Na vida pessoal, Netinho foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve sua única filha, Bruna, nascida em 1998. O casamento terminou em 2003.
Sua história profissional, no entanto, permaneceu profundamente associada à música da Bahia. Com “Milla” e outros sucessos, Netinho ajudou a levar o repertório do axé a diferentes públicos e consolidou seu lugar entre os artistas que marcaram a memória musical do Carnaval brasileiro.
Em nota, a assessoria destacou a capacidade do cantor de se conectar com os fãs e afirmou que sua voz e sua energia permanecerão na memória de quem acompanhou sua carreira.
A despedida será íntima, como ele desejou. A música, porém, continuará pública — nas festas, nos trios elétricos e na lembrança de quem cantou seus sucessos ao longo de décadas.































