
Em 2014, Túlio Cerviño andava pelo chão de fábrica de uma das maiores indústrias do país e via um problema que ninguém conseguia resolver: ninguém sabia, em tempo real, onde cada trabalhador estava dentro de uma planta industrial. Seis anos depois, ele fundou a Trackfy. Quatro anos mais tarde, uma empresa saudita bateu à porta querendo comprar. Em entrevista ao jornalista Geraldo Bastos, no Webinar da Indústria, programa do site Indústria News, Cerviño contou como essa história se desenvolveu – e por que o centro de operações da empresa continua na Bahia.
A solução da Trackfy é ao mesmo tempo simples de entender e difícil de replicar. Dispositivos acoplados a capacetes e crachás – equipamentos que o trabalhador já usa por obrigação – captam localização em tempo real, detectam quedas bruscas, acionam alertas de SOS e identificam quando alguém entra em área de risco sem a devida autorização.
Os dados chegam a uma plataforma em nuvem e se transformam em informação para os gestores: quem está onde, por quanto tempo, se o planejamento está sendo seguido. “Com 5 mil pessoas em campo, o sistema aponta às 9h da manhã que deveriam ter 500 pessoas em determinada frente e só há 200. O que está acontecendo?”, exemplificou Cerviño. No Polo Industrial de Camaçari, a tecnologia reduziu em 67% os deslocamentos improdutivos dos trabalhadores. Em obras de construção civil, o tempo de evacuação de emergência caiu 30%.
Os primeiros clientes vieram da Bahia. Um dos investidores-anjos da empresa tinha uma fábrica na Região Metropolitana de Salvador, que virou laboratório real para o desenvolvimento dos algoritmos. Em seguida veio a Bayer, no Polo de Camaçari. Hoje a carteira inclui Dow Chemical, Usiminas, Gerdau e empresas do ecossistema da Petrobras. Desde a primeira receita, em 2021, as vendas foram multiplicadas por 40.
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