A falta de água atingiu moradores de 102 bairros de Salvador – Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Quando a água deixa de chegar, existem questões comuns que vêm logo à cabeça. Como toma banho, faz almoço ou lava roupas e louças? A ausência do serviço, no entanto, tem desdobramentos que extrapolam os problemas nas residências. Tanto é que, por conta da falta de água em 102 bairros e localidades de Salvador gerada por uma obra da Embasa, ao menos 30 mil alunos de 109 escolas da cidade deixaram de estudar, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação (Smed).
Reportagem do jornal Correio desta quinta-feira (16), assinada por Wendel de Novais, mostra que o número de estudantes pode e deve ser ainda maior já que, procurada pela reportagem para informar sobre o impacto na rede estadual, a Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC) não respondeu até o fechamento desta matéria. Viviane Oliveira, 35, é moradora de Cajazeiras e reclama da falta de aula para o filho.
“Não teve ontem e nem hoje [quarta-feira]. A gente é prejudicado demais nessa história. Até mandei ele para casa da vó tomar banho, se ajeitar e ir. Quando chega lá, dá de cara com o portão. Fica sem água e sem estudar”, reclama a dona de casa, que também sofre para fazer o almoço e realizar tarefas domésticas.
Um pai, que prefere não se identificar e é morador do Bairro da Paz, afirma que, além do prejuízo estudantil para a filha, a ausência das aulas significa uma perda financeira. Motorista de aplicativo, ele deixou de rodar para cuidar da criança.
“Ela estuda de manhã, horário que eu e a mãe trabalhamos. Sem aula e sem ninguém para olhar, eu tive que abrir mão de rodar. A mãe não tem como parar e, querendo ou não, meu trabalho é mais flexível. O negócio é que deixo de ganhar uns R$ 250 por dia nessa situação”, lamenta ele.
Nos dois casos, a água deixou de cair a partir das 8h da última segunda-feira (15). Isso porque a Embasa realizou uma obra que interliga um trecho de quatro quilômetros de duplicação de adutora no sistema integrado de abastecimento (SIAA) de Salvador. A previsão de retorno do serviço era às 0h da terça-feira, o que não aconteceu até então em diversos bairros. Presidente da Embasa, Leonardo Góes explica o porquê:
“Uma válvula de dois metros instalada na adutora, depois que retomamos o serviço, apresentou um problema de fábrica e não vedou como deveria. A empresa fornecedora, inclusive, virá para Salvador fazer perícia”, diz. Góes conta ainda quando o serviço deve ser retomado integralmente.
Fonte: Correio/Wendel de Novais/Leia mais…
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