
Lá se foi Ronaldo Macedo da Fonseca, mais um colega jornalista com quem convivi nas redações da capital baiana. Era conhecido por uns como Ronaldo Cabeção. Por outros como Dandão, como o chamávamos na Tribuna da Bahia. A missa de sétimo dia em sua memória acontecerá neste sábado, dia 3, às 17 horas, na Capela Nossa Senhora da Vitória (Colégio Maristas), Canela.
Para mim, sua marca mais visível era saber de tudo, já tinha tido contato direto com todas as situações, era um homem vivido, conhecia tudo (ou quase tudo). Por exemplo:
Se a gente estava editando uma matéria onde aparecesse no texto uns tais de alevinos, o editor não conhecia a palavra, nem tampouco o copidesque (reescrevedor de matéria – diferente de revisor -, creio que hoje na era do computador não existe mais). Dandão estava por ali para socorrer, esbanjando simpatia e vivência: “Poxa, alevinos, já tive criatórios de peixe…”
Se uma matéria falava de peças de automóveis e o pessoal estranhava algum nome, Dandão estava à mão. Explicava: “Já tive oficina de carro”.
Repare bem. Não é que ele sabia das coisas simplesmente porque sabia, porque alguém lhe falou, porque leu, estudou. Não, ele sabia porque tivera, de alguma forma, em determinada altura da vida, algum trato direto com o assunto.
Parece que Dandão cultivava e curtia este poder extraordinário. Tanto que quando parecia claudicante em algum tema, ele ia adiante, buscando ajuda na criatividade, que ninguém é de ferro! Nesses momentos, nosso Adilson Borges (ainda na ativa em A Tarde, com quem tive ótima camaradagem inclusive fora das redações) dava uma risadinha e não perdoava: “Moleque mentiroso…”
Isso aí foram suas digitais que me ficaram. Embora muitas outras lembranças prazerosas me chovam, salpicadas de colegas/amigos comuns. Como o pôquer dos sábados à noite na sua casa e de Olívia (excelente companheira também na Tribuna); acho que eu não jogava porque não sei jogar, me lembro do ar infestado de fumaça de cigarro.
Era um cara muito forte, exibia aos amigos os músculos tesos dos braços, dizia que derrubava um bezerro com um murro; contava casos de sua passagem pelo Correio da Bahia (hoje Correio) e pela Secretaria de Comunicação do governo João Durval, locais onde não trabalhei.
Tais papos já eram nos abaixadinhos/botecos/bares da vida, da nossa boa vida, lá pela meia-noite em diante.
Vai Dandão e vamos também um pouquinho com você, os amigos apagados na sua memória. Como fomos apagados na de outros colegas (uns saudosos, outros nem tanto) como Silfredo Freitas, Janinho Lopo, Ivan de Carvalho, José Irecê, Oldemar Vitor, Pedro Matos, Wellington “Major” Ribeiro, Pedro Augusto, Reinaldo Kajeyama, Armando Lobracci, os irmãos Béu Machado e Aurélio Velame… E quem mais?
* Este artigo foi publicado originalmente no diaenoitenoar.com.br






























