
Mais de uma década depois, uma fazenda doada pelo compositor Gilberto Gil ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), na zona rural de Cravolândia, no sudoeste da Bahia, a 300 km de Salvador, segue quase esquecida e sem moradores fixos. História pouco conhecida, o sonho da pequena reforma agrária se iniciou em 2003. Simpatizante do MST, o então ministro da Cultura de Lula resolveu entregá-la aos sem-terra, na expectativa de um renascimento da propriedade.
Em ampla reportagem nesta segunda-feira, assinada por Cláudio Leal, o jornal Folha de S. Paulo diz que a reportagem pretendia contar o destino dos possíveis beneficiados pelo presente do artista. E descobriu que, até agora, não há assentados. Em tratamento de saúde por insuficiência renal, Gil não vai se manifestar, mas soube da apuração da história. Fotos do lugar foram enviadas para sua mulher, Flora, e para a assessoria dos sem-terra.
Na sede do MST, em Salvador, a integrante da secretaria estadual, Edineia Santana, justificou a ausência de ações: ”Nos últimos dez anos, vieram outras prioridades. Como é uma terra conquistada, o processo precisa ser retomado”. Apesar da promessa, não foi apresentada a documentação com os dados da propriedade rural. O MST pensa na ideia de uma ”área experimental”de agricultura.Líderes do MST na Bahia, Márcio Matos e o representante estadual da direção do movimento, Evanildo Costa, evitaram falar com a reportagem, depois do primeiro contato telefônico.
O deputado federal Valmir Assunção (PT), político formado no MST que acompanhou a conversa para a doação, não respondeu ao pedido de entrevista.
Em mensagem por e-mail, o MST baiano admite a inércia: De acordo com a direção do MST no Estado, a área doada por Gilberto Gil não comporta um assentamento de reforma agrária, as informações que temos apontam que o sítio possui entre 40 a 70 hectares. Esse processo pode ser confirmado com o Incra, órgão responsável pelo processo de desapropriação. Além disso, existem diversas dificuldades de acesso, tendo em vista que historicamente não houve investimentos em infraestrutura”.
































