Insatisfeito com a disposição da base do governo de Michel Temer em aprovar o reajuste dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e com o apoio de grande parte do PMDB à manutenção dos direitos políticos da ex-presidenta Dilma Rousseff, o líder do DEM, senador Ronaldo Caiado (GO), anunciou hoje (1º) que terá atuação independente no Senado.

Brasília – O senador Ronaldo Caiado, fala durante o quinto dia de julgamento final do processo de impeachment da presidenta afastada, Dilma Rousseff, no Senado (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Ronaldo Caiado pediu que o governo Temer se mantenha atento às pautas dos movimentos de rua que pediram a saída de Dilma RousseffArquivo/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Caiado pediu que o governo Temer se mantenha atento às pautas dos movimentos de rua que pediram a saída dea Dilma Rousseff. Segundo ele, quanto a isso o governo não pode “tergiversar” e nem “desviar sua rota”.
Questionado sobre a decisão do DEM e do PSDB de não questionarem a votação desmembrada do impeachment, quando senadores condenaram a presidenta à perda do mandato, mas rejeitaram sua inabilitação para cargos públicos, Caiado esclareceu que eles optaram por não arriscar uma ação que poderia anular todo o julgamento.
“Nós não vamos tomar nenhuma ação e nenhuma atitude que amanhã coloque em risco um processo de uma votação e tenha de repeti-la”, disse Caiado.
No entanto, o senador informou que, embora a questão jurídica em torno disso esteja encerrada, o mesmo não ocorre com a abordagem política. Ele voltou a cobrar que o PMDB se explique sobre o episódio.
“O que fica claro é que é um precedente grave e que o PMDB, por meio de suas lideranças, terá de explicar o que realmente ocorreu, onde eles querem chegar e que o acordo não beneficiou apenas a ex-presidente Dilma Rousseff, mas criou uma nova legislação onde o cidadão cassado pode ser nomeado para qualquer secretaria municipal ou estadual de governo e até ministérios, para que ele se mantenha com foro privilegiado, ou seja, fora das barras da primeira instância”, acrescentou.
Minutos após a coletiva de Caiado, a assessoria de imprensa do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), comunicou que o partido decidiu ingressar com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para questionar a votação fatiada de ontem (31). O texto do mandado ainda não foi divulgado para a imprensa.
Romero Jucá
Ao assumir definitivamente a presidência nacional do PMDB, cargo que já ocupava interinamente, o senador Romero Jucá (RR) divulgou, por meio de sua assessoria, uma nota na qual volta a negar que o partido tenha patrocinado um acordo para salvar os direitos de Dilma Rousseff.
“O PMDB não patrocinou nenhum tipo de acordo para isso. Votei favorável à decisão de punição porque entendo que ela (a cassação) não é divisível. Uma coisa (a punição) é consequência da outra (a cassação). Não dá para se fazer uma cassação e não retirar os direitos políticos. Portanto, a penalização é automática, na minha avaliação, e pela Constituição.”
Segundo Jucá, os senadores petistas buscaram vitimizar Dilma e conseguiram convencer alguns senadores de que ela deveria ser cassada, mas essa sanção não deveria ser empregada. Para ele, o episódio não representa uma divisão do PMDB.
Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil
































