
Após marcar seu nome na história do boxe brasileiro, Robson Conceição trocou os aplausos da torcida do Riocentro pelo dos jornalistas no Espaço Time Brasil, na manhã desta quarta-feira, 17 de agosto. Feliz com o ouro da categoria ligeiro (até 60kg) no peito, Robson pode, finalmente, descansar: “consegui dormir um pouco. Há cinco ou seis noites que não sabia o que era isso. Estava pensando muito nas lutas, com a adrenalina a mil. Ontem saí da comemoração aqui no Espaço e consegui dormir algumas horinhas”, afirmou, descansado.
Em Pequim 2008 e Londres 2012 o pugilista foi eliminado ainda na estreia. Mas nessas duas edições o sonho era participar dos Jogos. No Rio de Janeiro, a motivação era outra. Tive duas participações infelizes, era muito novo e inexperiente. Antes tinha como sonho participar dos Jogos Olímpicos, acho que esse foi o grande diferencial. Agora vim totalmente focado, com a meta de ganhar medalha”.
Os segundos finais da luta que entrou para a história do boxe brasileiro foram de muita adrenalina e emoção. “Naquele momento, passou um flash na minha cabeça sobre o meu início humilde. Só queria que a luta acabasse logo para poder comemorar. Geralmente não assisto minhas lutas e nem a dos meus adversários, mas vi algumas partes e foi uma luta bem difícil. Acho que foi a mais difícil que já fiz até hoje pelo fato do francês ser um atleta novo, mas que vem surpreendendo muitos experientes. Ele veio com tudo para ganhar, mas eu estava bem preparado e consegui sair vitorioso”.
Soteropolitano da comunidade de Boa Vista de São Caetano, Robson é muito agradecido à Bahia. “Sempre me deram muito apoio, principalmente no meu bairro e na minha academia. Ganhando ou perdendo, sempre estiveram do meu lado. Isso me ajudou muito na conquista da medalha. Acho que ainda estou dormindo e não quero acordar nunca desse sonho. Estou esperando uma boa recepção em Salvador. Essa medalha demorou para vir, mas chegou e da melhor maneira possível. Em casa e com o apoio da torcida brasileira”.
Robson considera que o boxe salvou sua vida. “Talvez nem estivesse vivo, já que eu brigava muito na rua. Isso mudou minha vida completamente. Muita gente fala que o boxe é um esporte violento, mas não é. Eu que era violento antes de conhecê-lo”. Por vir de família humilde e trabalhadora, Robson levou esses valores para o esporte: “minha família nunca deixou faltar o pão de cada dia. Eu também vendia picolé na praia e ajudava a minha avó na feira. Transferi para o boxe essa vontade de trabalhar. Essa medalha é uma recompensa para todas as abdicações e sacrifícios que tive”.
Os Jogos de Tóquio 2020 ainda não estão no radar de Robson. O que ele quer agora é descansar e depois conversar com seus técnicos e com a Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe) sobre os próximos passos.
“Os treinos foram muito duros, fui até a exaustão. Apanhei bastante em Salvador e na base da Urca. Os sparrings vieram com tudo para me ajudar. Quando estiver descansado, vou conversar com meus técnicos e com a CBBoxe para vermos o que será melhor para mim. Se vou em busca de mais uma medalha olímpica ou se sigo o caminho do boxe profissional”.
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COB
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