
REDAÇÃO DO JORNAL DA MÍDIA
A Secretaria de Infraestrutura da Bahia corrigiu ao final da tarde de ontem as informações divulgadas sobre as obras que o Governo do Estado projeta fazer visando dotar o terminal marítimo de Mar Grande, na Ilha de Itaparica, de condições adequadas para operar em períodos de maré baixa.
Em matéria publicada na manhã desta segunda-feira (8), com o título ”Governo exagera na dose e promete deixar Terminal de Mar Grande com 10 metros de profundidade”, o JORNAL DA MÍDIA questionou a veracidade da informação divulgada no site da Secretaria de Comunicação (Secom), segundo a qual, depois da dragagem no canal de navegação, o Terminal de Mar Grande ficaria com uma profundidade de 10 metros.
Sugeriu a reportagem do JM que três metros já seria uma profundidade suficiente para que o terminal passasse a operar sem qualquer restrição, mesmo em períodos de maré baixa. E disse mais o JM: se verdadeira fosse a informação do governo da Bahia, o terminal de Mar Grande poderia atracar navios de grande porte. ”Para se ter ideia, 10 metros tem o Porto de Salvador, que recebe navios cargueiros e transatlânticos”, acrescentou a reportagem.
Em nota, a Assessoria de Comunicação da Seinfra corrigiu a informação e distribuiu release sobre o assunto. Confira:
”Gostaríamos de esclarecer que na sugestão de pauta enviada com título “Estudos para a dragagem em Mar Grande já estão em andamento”, informamos que a profundidade do canal de Mar Grande seria de 10 metros, mas a informação está errada. O canal vai ter profundidade de TRÊS METROS após a conclusão das obras. Pedimos desculpas pelo transtorno. Assessoria de Comunicação/Seinfra”.
O site da Secretaria de Comunicação do Governo da Bahia também corrigiu a informação estampada com destaque. Mas o secretário da Seinfra, Marcus Cavalcanti, deveria pedir à Secom para retirar do ar, também, – ou reeditar – o boletim de rádio que o órgão de divulgação do Governo do Estado distribuiu para centenas de emissoras de rádio da Bahia, com a mesma informação infundada e absurda. Até o fechamento dessa matéria, às 10h10 desta terça-feira (9), o áudio continuava no site da Secom. Não pega bem para a imagem do governo passar para a sociedade esses chutes, mesmo em ano eleitoral.
Clique no player abaixo e confira o áudio produzido e editado pela Secom:
Que Venha a Dragagem – A iniciativa agora da Seinfra em assumir a realização dos serviços de dragagem (remoção de sedimentos como areia do canal de navegação para permitir a passagem das embarcações) e derrocagem (processo de retirada das pedras que impedem a plena navegação) é importante não só para a travessia Salvador-Mar Grande, mas para o sistema de transporte da Ilha de Itaparica.
É do conhecimento público que, por ser um serviço mais rápido, com oferta maior de horários e mais confiável, a ligação marítima entre a capital e a Ilha de Itaparica, a travessia operada pelas “lanchinhas”, se transformou em um meio de transporte essencial para veranistas e trabalhadores da Ilha, que hoje é habitada por profissionais liberais, advogados, jornalistas, médicos, entre outros.
Mas o governo da Bahia segue insensível, principalmente em relação ao Terminal de Mar Grande, por onde passam turistas do mundo inteiro e que ficam assustados com a estação de passageiros do equipamento, completamente degradada e sem qualquer estrutura. Melhorar o terminal não é só colocar a concessionária Socicam, que só pensa na cobrança de taxas e mais taxas. E Enquanto faz vista grossa para a modernização do terminal e para o aprimoramento do sistema como um todo, o governo despeja milhões em um serviço explorado por uma empresa privada, como é o ferryboat. E o que é pior: sem os resultados esperados (pelo governo) e muito menos pela população, porque a concessionária que o governo foi buscar no Maranhão, a Internacional Marítima, é muito fraca.
O Negócio Ferryboat – Por mais paciência e por mais bondoso que sejam os usuários, ninguém entende como é que o Estado não exerce o seu papel de fiscalizador e deixe aquela concessionária fazer o que quer e entende. Os mais de R$ 150 milhões despejados pelo governo no “negócio ferryboat” estão sendo torrados pela incompetência e incapacidade operacional, com terminais abandonados, navios sem manutenção e sujos. E o patrimônio público sendo mais uma vez dilapidado. A Internacional já deu mostra que só visa o lucro. Não é por pouco que seu faturamento bateu todos os recordes, conforme o balanço que publicou, desde que a amizade de seus donos com os Sarneys do Maranhão abriu as portas para seu ingresso na Bahia.
Para o JORNAL DA MÍDIA, pouco importa se a Internacional utiliza fortemente a sua influência junto à Agerba (a agência “fiscalizadora” do Estado) para se livrar de multas e de outras ações que possam comprometer a sua “imagem” junto ao governo, onde, dizem por aí, tem fortes defensores. O que importa é que a concessionária cumpra os compromissos assumidos em um contrato de concessão muito bondoso e que lhe deu o direito de explorar um serviço altamente lucrativo por 25 anos. Que preste um serviço de qualidade e eficiente aos baianos e que o governo esqueça a generosidade, que se preocupe mais e seja responsável ao colocar o dinheiro do cidadão no “negócio ferryboat”.































