Cristina Indio do Brasil
Repórter da Agência Brasil
O último dia de desfile do grupo especial mexeu com o público do Sambódromo em diferentes escolas de samba. Enquanto a Imperatriz Leopoldinense e a Unidos da Tijuca envolveram quem estava nas arquibancadas porque homenagearam ídolos brasileiros, a primeira o ex-jogador Zico e a outra o tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna, a Portela destacou-se pela alegria, ao mostrar o Rio de Janeiro. Na Mocidade Independente de Padre Miguel, com um samba contagiante, a evolução dos componentes encantou e levou junto o público. A Vila Isabel, campeã do ano passado, teve muitos problemas, como a falta de fantasias. Na primeira ala, alguns componentes tiveram de improvisar, desfilando de sunga e pedaços de fantasias.
A superação marcou o desfile da Mocidade Independente, a primeira das escolas que desfilaram segunda-feira (3). A Mocidade, que desfilou com o enredo Pernambucópolis, em homenagem ao carnavalesco Fernando Pinto, campeão pela escola em dois carnavais, enfrentou, nos últimos anos, problemas financeiros, que provocaram o afastamento do presidente da escola, Paulo Vianna, em janeiro deste ano, a menos de dois meses do desfile. A nova diretoria, além do problema financeiro, precisou correr contra o tempo para aprontar o carnaval.
O carnavalesco Paulo Menezes disse que a virada se deu com amor e com a união da escola, que queria mudanças. Segundo ele, isso ficou evidente também na consagração que a Mocidade teve nos setores populares da dispersão. “O objetivo foi alcançado. Quando a gente faz um trabalho quer o reconhecimento popular, e esses setores são os mais importantes, junto com o Setor 1, por onde entramos na avenida. É aqui que está o povo”, disse Menezes à Agência Brasil.
A União da Ilha, que veio em seguida, manteve a irreverência que caracteriza seus desfiles. Este ano, o enredo É Brinquedo, É Brincadeira, a Ilha Vai Levantar Poeira! evidenciou a marca registrada da escola, que levou para a avenida alas com super-heróis do cinema e das histórias em quadrinhos e com brinquedos diversos, como o peão. O carro alegórico que trazia livros, numa referência aos contos e fábulas, foi outro destaque da agremiação da Ilha do Governador.
A Vila Isabel enfrentou muitas dificuldades para mostrar o enredo Retratos de um Brasil Plural. Um dos problemas foi a falta de fantasias de componentes. Um deles, Djalma Santos, disse que chegou ao barracão da escola, na Cidade do Samba, às 10h30 de ontem (3) e ficou até 16h30 esperando para pegar a fantasia com que desfilaria horas depois. Na ala dele, alguns integrantes desfilaram com a fantasia incompleta. “Em nenhum momento, pensei que não ia conseguir a fantasia, mas para outros não foi bom”, lembrou.
Diretores que acompanhavam a ala de Djalma não explicaram os motivos do atraso e das falhas na entrega das fantasia. O problema atingiu até componentes da primeira alegoria – alguns vestiam uma sunga de praia e se enfeitaram com pedaços de fantasia. O último carro, que tratava do encontro imaginário do folclore e da natureza, com uma lembrança do ambientalista Chico Mendes, assassinado em 1988 no Acre, trouxe o compositor acriano João Donato ao piano.
A passagem da Imperatriz Leopoldinense foi uma mistura de avenida de desfiles e estádio de futebol. O público nas arquibancadas delirou com antigos ídolos que passaram na avenida na homenagem a Zico, ex-jogador do Flamengo e da seleção brasileira. Entre eles, estavam Júnior, Andrade e Atílio, companheiros de Zico no Flamengo, e craques como Rivellino, Roberto Dinamite, Deco e Edmundo, entre outros.




























