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Confira, na íntegra, o relato da jornalista Juliana Brito:
Hoje, depois de passar por uma das situações mais humilhantes da minha vida, venho manifestar minha indignação contra a atuação da polícia durante os protestos realizados na cidade. Estávamos eu e minha irmã na Estação Iguatemi, por volta das 22h, à espera do ônibus para voltar para casa. Voltávamos da bela partida entre Nigéria e Uruguai, disputada na Arena Fonte Nova e vencida pelos uruguaios por 2 a 1.
Os manifestantes do Passe Livre faziam, como fizeram na última segunda-feira, um protesto no local, pedindo que os motoristas de ônibus abrissem a porta da frente para permitir que os passageiros entrassem sem pagar. As reivindicações do movimento por um transporte público de melhor qualidade, vale ressaltar, são muito justas, porque pagamos caro por um serviço de merda. Mas enfim, continuando a história…
Durante a manifestação, senti um cheiro diferente no ar e logo comecei a espirrar. Até aí nada estranho, pois tenho rinite alérgica e tenho crises de espirros com qualquer coisa. Mas a parada começou a ficar estranha, porque uma fumacinha começou a tomar conta da estação, sem chegar ainda ao local em que eu estava.
Do nada, só vejo uma multidão correndo e escuto bombas estourando e uma fumaça que arde os olhos e queima a garganta quando você tenta inspirar tomando conta do ar, o que me fez ficar sem respirar. Olhei para o lado e segurei a mão da minha irmã e tentei correr para qualquer lugar e fugir daquela fumaça, mas sem sucesso, pois aquela fumaça já havia tomado conta de toda a estação.
Ao meu lado, minha irmã chorava, assutada. Perto de mim, um menino corria com as mãos na cabeça, encharcada de sangue. Outros fiéis guerreiros eram atacados covardemente com aquela fumaça e com as bombas enquanto tentavam se recuperar das feridas, sentados e deitados no sujo chão do terminal. “Então essas devem ser as famosos sprays de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo que eu tanto ouvi falar, mas que nunca tinha sentido na pele”, pensei com meus botões.
Quando olhei na direção do Shopping Iguatemi, do outro lado da estação, quase não acreditei na cena que vi: eram policiais que estavam jogando as bombas e o spray. “Então é esta a polícia que me defende? Então é para isso que eu pago meus impostos?”, refleti, mais uma vez.
Amigos, confesso, foi uma das situações mais humilhantes da minha vida. Aqueles que são pagos para me defender, são os mesmos que me atacaram de maneira covarde. E vale ressaltar que eu nem estava participando da manifestação (não que isso seja justificativa para o ataque da polícia contra civis incentes, mas sei que eles vão utilizar este argumento para explicar a ação violenta contra nós).
Hoje, tive arrependimento de cada centavo de imposto que paguei e tive vontade de não pagar mais um real do meu suado salário para esse governo hipócrita. Há alguns anos, quando estávamos em período eleitoral, ouvi muitos petistas utilizarem como propaganda eleitoral o que chamavam de polícia violenta ou qualquer coisa do tipo no governo de ACM ao citar o episódio da Faculdade de Direito da Ufba. E hoje, caros hipócritas, o que dizem da polícia que atacou civis inocentes como eu, minha irmã e tantos outros? Hoje nêgo que tanto falou da polícia de ACM queimou a língua e vai dormir de cabeça quente!
Enfim, conseguimos correr em direção à Madeireira Brotas e chegamos a um ponto, onde pegamos o ônibus e chegamos em casa. Com meus olhos vermelhos e ardendo, nariz entupido, dor de cabeça e muita raiva no coração, vou dormir me sentindo desrespeitado e humilhado de maneira covarde por aqueles que, na teoria, deveriam me proteger, mas que só defendem e protegem interesses que não são os da população.
E, para finalizar, o ditado que minha avó tanto falava, e ainda fala, hoje faz todo sentido para mim: pimenta no olho dos outros é refresco!




























uma tal pratica da ‘ordem pública’, fazendo desordem e agredindo quem está passando…É essa nossa policia e são esses os nossos políticos?