Ao determinar uma mudança de postura do torcedor, que ficará mais perto do campo no reformado Maracanã, o poder público anunciou uma nova era sem se dar conta de que o espírito imortal do estádio resiste nas pendengas em torno de sua concessão. Usado para marcar território pelas torcidas, o grito “o Maraca é nosso!” muda de lado de acordo com os lances do jogo da política. Nesta sexta, um dia após o consórcio formado por Odebrecht, AEG e IMX ser anunciado vencedor, uma liminar da 9ª Vara de Fazenda Pública impediu o governo do estado de celebrar o contrato enquanto não for julgado o mérito da ação movida pelo Ministério Público.
A decisão suspende ainda ainda a terceirização da exploração do Maracanãzinho e do entorno do Maracanã, sob pena de R$ 5 milhões de multa, e obriga o vencedor a arcar com o estudo de viabilidade, da ordem de R$ 2,3 milhões. Diante da estimativa de receita anual de R$ 152 milhões para o consórcio, que pagará aluguel de R$ 5,5 milhões anuais ao estado, a juíza Gisela Guida de Faria afirma que o contrato de 35 anos “acarretará um prejuízo para o estado na ordem de R$ 7.065.000, sem contar com o pagamento do empréstimo de R$ 400 milhões, concedido pelo BNDES para a reforma”. (Pedro Motta Gueiros, O Globo)





























