Depois de um depoimento de 15 horas, o estudante de matemática Bruno Euzébio dos Santos, de 26 anos, confessou, na noite desta sexta-feira, que matou o colega de quarto José Leandro Pinheiro, de 21 anos, porque era vítima de bullying. Segundo o diretor da Divisão de Homicídios (DH), Rivaldo Barbosa, a confissão ocorreu na presença dos pais do autor do crime e de um psicólogo. Bruno, no entanto, não disse se era tratado por algum apelido, mas relatou que as risadas dos jovens da república no Jardim Botânico, onde ocorreu o crime, o incomodavam. O indiciado será levado para uma unidade prisional em Bangu no sábado.
Ele contou que, na noite da última quarta-feira, véspera do dia do crime, ele não conseguia dormir por causa dos colegas que ficaram conversando até tarde. Antes de cometer o assassinato, Bruno tentou abafar o som das conversas dos colegas colocando um fone de ouvido com música no último volume, mas disse não ter conseguido se concentrar nos estudos.
Segundo o delegado, ele disse que as vozes persistiam em sua cabeça. Depois de tomar vodca com Coca-Cola e tranquilizantes, Bruno disse que pegou uma pedra de 30 centímetros que escorava a porta do térreo e atacou o colega, desferindo, em seguida, quatro facadas no peito dele. O criminoso foi achado desacordado na cozinha da república, com as mãos sujas de sangue, enquanto José Leandro estava morto no quarto. Segundo Rivaldo, Bruno contou que achava que os colegas estavam rindo dele.
— Até a tosse de José Leandro o irritava. Isso gerou um distanciamento social profundo entre Bruno e os colegas. Ele disse que se sentiu vítima de bullying. Seu temperamento era de uma pessoa calada, instrospectiva, enquanto os colegas brincavam. Estou estudando a possibilidade de pedir um exame de sanidade mental dele — disse Rivaldo, que indiciou Bruno por homicídio qualificado.(Vera Araújo e Ronaldo Braga/O Globo).

































