
O deputado Leur Lomanto disse ontem, em discurso na Assembleia Legislativa, que proporá no PMDB o apoio à candidatura de ACM Neto (DEM) no segundo turno das eleições de Salvador.
Depois de criticar as pesquisas e reiterar sua ideia de um projeto na Câmara dos Deputados para proibir a divulgação no período eleitoral, afirmou: “Vou defender o apoio a Neto. Salvador dará mais uma demonstração de independência”.
A Por Escrito, ele informou que o partido tem um cronograma sumário para discutir a questão, que poderá ser decidida amanhã ou, “no mais tardar, quarta-feira”.
Inicialmente haverá conversas com os dois candidatos e em seguida a Executiva Regional, com os deputados estaduais e federais, se reunirá para deliberar sobre o caminho a ser tomado.
Partidos têm força eleitoral semelhante – Não se pode dizer que a posição do PMDB será a mais importante nesta etapa da sucessão municipal, porque há certo equilíbrio entre seu poder de fogo e o do PRB, do candidato Márcio Marinho.
O PMDB é, realmente, mais representativo, mas há que se distinguir, nos 122 mil votos que recebeu, aqueles da força do partido e os dados pessoalmente a Mário Kertész, mesmo sendo veraz declaração recente de Geddel Vieira Lima de que a paz reina entre ambos.
Assim, se for por Neto a opção do PMDB, como quer Leur, e Kertész, como deixou transparecer com o anúncio de “encerrar a carreira política”, distanciar-se do processo e ficar em silêncio favorável a Pelegrino, a transferência de votos não será a desejada por nenhum dos candidatos.
No caso de Marinho, trata-se de 84 mil votos, em sua maioria, decorrentes de trabalho social e pregação da fé desenvolvidos com profundo vínculo a uma instituição religiosa de grande penetração. A orientação, digamos, partidária teria muito mais chances de vingar.
Diferença pequena valoriza os votos – Considerando que a diferença entre Neto e Pelegrino foi de 0,35 ponto percentual – ou prosaicos cinco mil votos num eleitorado de 1 milhão e 880 mil –, está claro que uma quantidade mínima poderá ter forte influência no segundo turno.
Nesse particular, são tesouros preciosos os 33 mil votos de Hamilton Assis (PSOL) e os 20 mil de Rogério da Luz (PRTB).
No caso de Hamilton, são produto de um estrato ideológico com forte viés de esquerda que tende a se encaminhar mais para Pelegrino, embora o candidato socialista tenha descartado qualquer afirmação de apoio.
Quanto a Da Luz, que ficou com uma merecidíssima lanterna, não dá para concluir se seus eleitores têm um perfil que sugira a possibilidade de escolher este ou aquele candidato, mas o governador Jaques Wagner disse que quer conversar com ele.
Dilma em Salvador amarra mais Geddel – O grande entrave que se levanta à aliança DEM-PMDB é o posto de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica ocupado por Geddel Vieira Lima.
É o mesmo argumento para a frustração, no primeiro turno, da “unidade das oposições”, o que não deixa de ser estranho, pois não haveria explicação para Geddel ter participado dos entendimentos, já que tinha o mesmo impedimento na época.
Sem levar em contra o poder ou não do cargo na CEF, Geddel continua amarrado, porque é adversário assumido do governo e do PT baianos, nos quais bate sempre que há chance. Só lhe é vedado confrontá-los nas urnas.
Ainda hoje, a presidente se encontrou com seu vice, Michel Temer, presidente de fato do PMDB, não para cobrar coerência e fidelidade, porque isso não oferece, mas para tratar de onde podem ser remediadas as coisas tendo em vista 2014.
Salvador constava na agenda como problema, tendo Dilma informado a Temer sua disposição de vir a Salvador para dar uma força a Pelegrino. Será uma dificuldade para Geddel subir no palanque alheio.
ACM Neto exclui influência nacional – Neto sabe bem as articulações malignas que o rondam a partir do Palácio do Planalto, pois é adversário duplamente emblemático, pela origem política e pelo papel que desempenha hoje na Câmara dos Deputados.
Por isso, adiantou que “conversar com o PMDB é uma prioridade” e que respeita a autonomia e a hierarquia no partido, que decidirá sobre Salvador “sem influências nacionais”.
Exatamente ao contrário da manobra que lhe foi atribuída – e que ele negou – para que do comando nacional do PSDB viesse a fatwa que tirou Antonio Imbassahy do seu caminho no primeiro turno. (Por Escrito)
































