
É Queiroga que anuncia o custo final da polêmica casa de espetáculos, orçada, há quase dez anos, em R$ 80 milhões: em valores corrigidos, a construção saiu por R$ 560 milhões. No fim do governo passado, já tinham sido gastos R$ 431 milhões. Para concluir o serviço, nos últimos dois anos a administração Eduardo Paes desembolsou mais R$ 90 milhões.
Apesar do volume de recursos investidos até agora, uma equipe do GLOBO que visitou a Cidade das Artes, na semana passada, constatou que a organização social (OS) que vencer a licitação para a gestão do lugar ainda encontrará obra por fazer. A área destinada a três salas de cinemas — com um total de 500 cadeiras —, um restaurante e três lojas continuará no osso, sem revestimento de piso, corrimãos em escadas e mobiliário. Nesse caso, o acabamento, informa o secretário municipal de Cultura, Emílio Kalil, não está incluído no contrato com o consórcio. Caberá ao gestor, junto com a prefeitura, realizar uma nova licitação para selecionar a empresa que vai explorar esses espaços.
— O concessionário dará a sua cara ao lugar. Vai, por exemplo, escolher o tom do carpete — afirma Queiroga.
Já o futuro gestor geral da Cidade das Artes terá que sanar problemas relacionados à escolha inadequada de materiais. É o caso dos cabos de aço dos guarda-corpos das rampas de acesso, que, por conta da proximidade do mar, estão oxidados. A ferrugem também é visível nas placas recortadas, fixadas em alguns pontos, para permitir uma visão do andar de baixo.
— Isso é um serviço de manutenção — alega o presidente da RioUrbe.
A abertura dos envelopes dos interessados em gerir todo o complexo está marcada para 21 de setembro. A prefeitura se dispõe a gastar ainda mais com o espaço depois de terceirizado. Pelo edital, se propõe a repassar à OS R$ 48,4 milhões em dois anos (cerca de R$ 2 milhões por mês), arcando com custos de manutenção. (Selma Schmidt)

































