AGÊNCIA ANSA
Quito e Rio de Janeiro – A União das Nações Sul-americanas (Unasul) pode não reconhecer um eventual novo governo no Paraguai, caso o Senado aprove o processo de impeachment contra o presidente Fernando Lugo.
A possibilidade foi levantada hoje pelo presidente do Equador, Rafael Correa, que detalhou, porém, que “os chanceleres da Unasul estarão no Paraguai para coletar informação, não para intermediar, mas para estabelecer se está cumprindo o devido processo”.
Já de volta ao Equador da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, no Rio de Janeiro, Correa, que é presidente temporário da Unasul, atestou que uma democracia não se baseia apenas na “legalidade” de um governo, mas também em sua “legitimidade”.
“O que aconteceria se, mais para frente, um presidente da região não tem maioria no Congresso de seu país e tenta-se julgá-lo? Esperamos que advogados de meia-tigela não deponham presidentes ao nível da Unasul”, expressou.
O líder equatoriano contou que conversou por telefone com Lugo e disse estar “muito triste” com esse episódio. “Não sabemos bem que passou nesse fato lamentável”, pontuou.
Nesta sexta-feira, o presidente paraguaio entrou com uma ação na Justiça contra o processo de impeachment e argumentou que o julgamento, comparado a um golpe, “não tem razão de ser”.
“Aqui há um grande apoio popular, nossas políticas sociais deixam seus rastros. Foi um governo transparente e honesto e isso ninguém pode negar”, sustentou.
Lugo ainda mencionou que “esta não é a primeira vez que se fala de impeachment no Parlamento. Sempre o buscaram”. “Há um setor de poder tradicional que não aceita” um presidente que vem de outro lugar e que é “apoiado pelos setores populares”, alfinetou o presidente, em referência ao Partido Colorado.
Ele também buscou tranquilizar a respeito da posição das Forças Armadas, que, segundo ele, “emitiram um comunicado” afirmando que “estão com a institucionalidade e a defesa da democracia e as leis de nosso país”.
O paraguaio ainda relatou sobre os contatos telefônicos que fez com os líderes da região desde que foi aprovado o processo de impeachment e destacou sua conversa com a presidente Dilma Rousseff, que lhe garantiu que sua possível destituição não ficará sem consequências.
O equatoriano Correa também comentou hoje sobre os protestos de policiais que estão ocorrendo na Bolívia e desejou que o movimento por reivindicações salariais não se torne uma tentativa de derrubar seu homólogo, Evo Morales, temendo uma ação similar à que ocorreu com ele próprio em 30 de setembro de 2010.


























