Com o corte da Selic ao patamar histórico de 8,5% ao ano e a entrada em vigor das novas regras da caderneta de poupança, a vida dos pequenos investidores ficou mais difícil. Quem aplicou na poupança a partir de 4 de maio — quando as novas regras da caderneta entraram em vigor — passa a ter um rendimento de 5,95% ao ano, abaixo da antiga remuneração de 6,17% mais TR (Taxa Referencial) anual. Na prática, quem tinha R$ 10 mil aplicados veria seu dinheiro render R$ 616,78 no prazo de um ano (ou 12 aniversários). Esse ganho agora será menor, de R$ 595 ao ano, um perda de R$ 22, segundo simulação do site comdinheiro.com.br. Para quem tem R$ 50 mil aplicados, a remuneração encolhe em R$ 110.
Mesmo com a ligeira queda na rentabilidade, a poupança continua sendo uma aplicação melhor do que a maioria dos fundos de investimentos do mercado. Uma aplicação de R$ 10 mil num fundo DI (pós-fixado, que acompanha os movimentos da Selic) passa a render R$ 569 com a nova Selic, valor líquido que considera 17,5% de Imposto de Renda (IR) e uma taxa de administração de 1,5% ao ano.
— A poupança perdeu rentabilidade. Perdeu relativamente pouco, mas perdeu. Mas será difícil achar uma aplicação em juros melhor para quem tem poucos recursos. É uma aplicação melhor que a maioria dos fundos de investimentos de grandes bancos privados. É mais fácil achar ouro no quintal do que um fundo de varejo que cobre taxas de administração baixas — afirma Rafael Paschoarelli Veiga, professor da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e responsável pelo site comdinheiro.com.br.
Segundo Paschoarelli, as taxas de administração dos fundos DI precisam ser inferiores a 1,2% ao ano para ganharem em rentabilidade da poupança. Para conseguir essa taxa, o investidor precisará fazer um investimento de mais de R$ 25 mil na hora de aderir ao fundo, considerando a média da indústria brasileira.
Os principais bancos do varejo — Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Itaú Unibanco — divulgaram nas últimas semanas cortes das taxas de administração, mas poucos conseguiram ficar efetivamente competitivos frente à poupança, que é isenta de IR.
No Bradesco, as taxas foram cortadas dos patamares de 2% e 3% para 1,8% e 1,6%. No Itaú Unibanco, a menor taxa de administração dos fundos que foram alvo de iniciativas do banco está em 1,40% e o investimento inicial é de R$ 20 mil. No Banco do Brasil, os fundos mais competitivos (taxas de 0,50% e 1%) exigem um investimento mínimo inicial de R$ 20 mil a R$ 200 mil. e são voltados a um conjunto mais seleto de clientes (chamados Estilo).
A Caixa tem um fundo com investimento inicial de R$ 2.500 e taxa de administração de 1% ao ano, batendo a poupança. (O Globo)
































