LUÍS AUGUSTO GOMES
O líder do PMDB na Assembleia Legislativa, Luciano Simões, prometeu fazer hoje (29) um pronunciamento para demonstrar que, desde que assumiu o governo, em janeiro de 2007, o governador Jaques Wagner passou mais de seis meses no exterior.
O parlamentar aproveitou reportagem de O Globo na sua edição de domingo, apontando Wagner como governador que mais viajou no atual mandato, para voltar a um assunto que tem abordado com frequência.
“Chico Anísio continua vivo”, debochou Simões, ao referir-se a Wagner como “o governador Galeão Cumbica”, personagem do humorístico Escolinha do Professor Raimundo que tem fixação por aeroportos e aeronaves.
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Deputado relaciona viagens infrutíferas – Hoje, a título de “aperitivo”, o deputado comentou três viagens do governador – Venezuela, Portugal e China –, considerando-as improdutivas, por não terem resultado nos empreendimentos que a assessoria do governo anunciou que ele iria buscar.
“Na Venezuela, o governador posou com Chávez, fumou charuto, mas o voo Salvador-Caracas que o secretário do Turismo, Domingo Leonelli, disse que seria criado, não existe. Fui ao aeroporto comprovar isso”, afirmou Simões.
Da mesma forma, segundo ele, não veio o oceanário prometido na viagem a Portugal nem a indústria processadora de soja que os chineses implantariam no Oeste baiano. “Se o prefeito João Henrique vive no paraíso”, completou, “o governador Wagner só anda nas nuvens”.
Gildásio vê “bons dividendos” para a Bahia – Em defesa do governador, subiu à tribuna o deputado Gildásio Penedo (PSD), para quem Simões faz “uma tentativa pequena e vã” de tratar o assunto. Ele defendeu “o debate no campo das proposições” e disse que as viagens do governador, além de baratas, têm trazido “bons dividendos” para a Bahia.
“Foi a ida do governador à China que resultou no compromisso de implantar aqui a JAC Motors, assim como ele conseguiu, na Alemanha, a duplicação dos investimentos da Basf para ampliar sua fábrica de polímeros no Estado”, afirmou.
Gildásio citou também a viagem do governador Jaques Wagner à Suíça, para definir, com a Fifa, a escolha de Salvador como uma das subsedes da Copa das Confederações, em 2013. “Tudo isso significa empregos, turismo, mais riqueza para a Bahia e projeção de sua imagem no exterior”, destacou.
Outros gastaram mais no exterior – Condenando o “reducionismo desnecessário” que a oposição faz do assunto, Gildásio afirmou que nos 78 dias que Wagner passou no exterior o gasto com deslocamento, hospedagem e alimentação foi de R$ 285 mil, o que dá uma média diária de R$ 3.653, “relativamente baixa”, em comparação com viagens de outros governadores.
“O governador Antonio Anastasia, de Minas Gerais, gastou R$ 687 mil em 35 dias, o que dá uma média de R$ 19.628. Sérgio Cabral, do Rio, em 29 dias, gastou R$ 342 mil, ou seja, uma média diária de R$ 11.793”, comparou.
O deputado ressaltou outros aspectos em defesa de Wagner: “Isso não impediu que o governador cumprisse uma agenda intensiva de inaugurações no interior da Bahia, visitando 334 municípios em seus dois mandatos”. Informou ainda que a Bahia forneceu informações detalhadas e completas para a matéria de O Globo, “o que outros Estados terminaram sonegando”.
Oposicionista critica ex-líder do bloco – Outro a criticar Wagner, por ele chamado de “governador-turista”, foi o deputado Bruno Reis (PRP), frisando que “toda vez que a Bahia está nas manchetes nacionais é para manchar sua história”. Acrescentou que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, “não precisou viajar para atrair para seu Estado a Fiat e a Toyota”.
Bruno deu uma estocada direta em Gildásio, lembrando que, como antigo líder da oposição, o parlamentar criticava as viagens do governador. “Acho que todos nós temos direito de mudar de opinião, mas para melhor”, ironizou.
O deputado apontou ainda a coincidência de o governador sair da Bahia nos momentos de crise, como nas greves da PM e dos professores, para concluir: “Quando Jaques Wagner se ausenta, é provável que ninguém sinta sua falta”.
Geilson acha que Zé Neto tem substituto – O deputado Gildásio também não escapou à crítica do colega Carlos Geilson (PTN), para quem “o ex-líder da oposição hoje é o defensor-mor do governador”, assumindo o lugar que caberia ao líder do governo na Casa.
“Pensei que o deputado fosse resgatar o líder combativo do passado, mas hoje, como numa parceria, ele deixa Zé Neto (líder do governo) descansando, deitado na rede, e vem fazer o seu papel”. (Por Escrito)
































