
Segundo fontes do Palácio do Planalto, o alvo dos juros bancários – tema de grande apelo entre a classe média – passou a ser considerado na medida em que a meta de crescimento de 5% em 2012 ficou cada vez mais distante.
Além disso, os bancos passaram a ser vistos por Dilma como instituições que pouco colaboraram para a queda dos juros implantada pelo Banco Central desde agosto. “É uma briga que a presidente achou por bem comprar porque traria benefícios ao país no longo prazo”, disse uma das fontes.
Nesta estratégia, era preciso resolver o problema da rentabilidade da poupança, que por ser fixa e atrativa, corria o risco de afetar a indústria de fundos – aplicações que, ao investirem em títulos do governo, são essenciais para rolar a dívida pública.
Em última instância, a caderneta impunha uma amarra à própria continuidade da trajetória de queda da taxa básica de juros (a Selic). Ciente disso, a presidente decidiu reduzir a rentabilidade da poupança, mostrando-se, portanto, muito mais ousada que seu antecessor, que chegou a cogitar em 2009 a tributação do investimento, mas recuou ante seu elevado custo político.
A ousadia da presidente nesta quinta-feira foi elogiada por especialistas. Nos próximos meses, ela possivelmente dará continuidade às cobranças para que os bancos privados reduzam o spread bancário – diferença entre o custo de captação e as taxas cobradas dos clientes finais – e deve continuar usando sua influência para induzir a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco do Brasil (BB) a praticar juros menores.
A medida é correta, pois, ao estimular a concorrência, impõe no mercado uma nova dinâmica, em que os ganhos com volumes maiores de concessão passam a ser mais importantes que a rentabilidade de cada operação individual.
O problema é que o Planalto poderia ser ainda mais agressivo se não ficasse apenas na estratégia de atacar os bancos. Afinal, cerca 70% do spread tem ligação com políticas do próprio governo. Em resumo, se Dilma quiser, ela pode verdadeiramente levar os juros a outro patamar – ainda mais baixo que só sua retórica e a ajuda dos bancos públicos poderá resultar. (Veja)
































