Para financiar campanhas, Senado tem suplentes ricos

Ter suplentes ricos que financiam parte das campanhas, cada vez mais caras a cada eleição, também é praxe no Senado. Roberto Requião (PMDB-PR), por exemplo, teve 27% do custo de sua campanha bancados por seu suplente, Chico Simeão, que doou R$ 857 mil.

Simeão é dono da BS Colway, que importa pneus usados, recicla e revende no Brasil. Requião afirmou que esse dinheiro refere-se ao empréstimo de um avião.

— Eu superestimei o valor de propósito, para evitar problemas — afirmou o senador do PMDB.

Ele nega ter escolhido Simeão pelo fato de ele ser rico:

— Ele é um empresário progressista, que defende o capital produtivo.

Primeiro suplente de Demóstenes Torres (de Goiás, sem partido), que está agora em meio a um escândalo de corrupção, o empreiteiro Wilder Pedro de Moraes, da Orca Construtora, doou R$ 700 mil para a campanha do titular, o que corresponde a 7,5% do total arrecadado.

Atualmente, 15 suplentes estão no exercício do mandato no Senado, o que corresponde a 18% dos 81 integrantes da Casa. Desses, cinco assumiram porque o titular foi eleito governador, quatro viraram ministros, três morreram, um tomou posse como secretário estadual, um foi indicado para conselheiro de tribunal de contas estadual e um foi cassado.

E alguns suplentes não deixam passar em branco a permanência temporária na Casa. Reditário Cassol é um exemplo disso. Assumiu o mandato por quatro meses no ano passado. Seu filho tirou uma licença por motivo de saúde.

Nesse período, Reditário gastou R$ 92.104 de dinheiro público com “divulgação do mandato parlamentar”. Seu feito de maior destaque foi a defesa, na tribuna do Senado, para escândalo geral, do uso de chicote para presos que se recusam a trabalhar. (O Globo)

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