Parque eólico: atraso da Chesf dá prejuízo de R$ 96 mi por semestre

Enquanto eles riem a sociedade paga a conta pela incompetência gerencial
Enquanto eles riem a sociedade paga a conta pela incompetência gerencial
JOSÉ VALVERDE

Um desembolso perdido de R$ 96 milhões por semestre é o prejuízo que a estatal Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) está transferindo à sociedade em razão do atraso na construção da linha de transmissão que interligará um parque de geração de energia eólica, no interior da Bahia, à sua rede de transmissão.

Com a presença do governador da Bahia, Jaques Wagner, o parque eólico foi inaugurado semana passada, no prazo contratual, mas a Chesf nem ao menos começou a instalação da mencionada linha de transmissão, uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Com capacidade para gerar 294 megawatts, energia suficiente para suprir 540 mil residências, o parque eólico foi instalado por uma empresa privada – a Renova Energia – em áreas de três municípios do Sudoeste da Bahia, Caetité, Igaporã e Guanambi, ao custo declarado de R$ 1,2 bilhão.

Na cerimônia de inauguração, o presidente da Renova, Mathias Becker, ressaltou que sua empresa não terá nenhum prejuízo, pois receberá integralmente pela energia que seria gerada, caso a linha de transmissão estivesse concluída. Mas lamentou a decepção. “Nosso desejo é que o parque pudesse iniciar logo sua fase operacional”. Ao dar o parque por inaugurado, a Renova Energia pretendeu provar à sociedade que sua parte no contrato foi cumprida.

Já o presidente da Chesf, João Bosco Almeida, deixou a inauguração esquivando-se dos repórteres que quiseram entrevistá-lo. Mas se sabe que nem a licença para começar a construção da linha de transmissão a Chesf já conseguiu. Entre outras exigências, essa construção depende ainda da anuência dos donos de fazendas e terreno onde serão erguidas as torres, entre Igaporã e a conexão com a rede da Chesf em outra cidade, Bom Jesus da Lapa.

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