Pelo que se deduz da declaração de bens do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, publicada quarta-feira (14) no Diário Oficial do Estado -- em obediência aos trâmites legais para sua investidura na Secretaria de Planejamento da Bahia --, ele não confiava na valorização das ações da estatal que presidia.
A lista de bens revela que o mercado de ações foi o segmento da economia escolhido por Gabrielli para investir suas economias. Nada menos que R$ 1,4 milhão estão pulverizados em ações de várias empresas.
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| Gabrielli (à direita) com Lula (centro) durante a capitalização da Petrobras: festa para o governo e tristeza para os investidores |
Entretanto, do total ele dispõe de apenas R$ 120 investidos em papéis da Petrobras. A
blue chip preferida de Gabrielli é a da privatizada Vale do Rio Doce. Ele tem R$ 384,9 mil investidos em ações da mineradora.
Dados históricos relacionados à valorização das ações das duas empresas podem explicar a preferência de Gabrielli. No decênio 2001 a 2011, de acordo com a consultoria Economática, o valor dos papéis da Vale praticamente triplicaram em relação aos da Petrobras.
Enquanto as ações ordinárias da Vale valorizaram 834%, as da Petrobras chegaram a apenas 250%. Comportamento semelhante é observado nas ações preferenciais, sem direito a voto. Neste caso, enquanto as ações da Vale valorizaram 765%, as da Petrobras avançaram 257%.
Como se vê, de besta Gabrielli não tem nada. Besta foi quem comprou ações durante a capitalização da Petrobras realizada em 2010. Comemorada por Lula como a maior capitalização já realizada no mundo, a empresa buscou no mercado o dinheiro necessário para colocar de pé o projeto de exploração do pré-sal.
O presidente Lula fez a maior festa, de olho no aumento da sua popularidade, e muita gente comprou ações da empresa pensando em lucros substanciais. Passada a euforia, os compradores descobriram que receberam de presente um mico sem tamanho.
A declaração de bens de Gabrielli revela que ele não entrou na canoa furada.