O comandante da corporação ou qualquer outra autoridade que se disponha a fazê-lo somente convencerá a população de que acabou a greve da Polícia Militar quando – no caso local – as pessoas começarem a ver em patrulha as costumeiras viaturas, além de soldados e oficiais nos módulos e em cruzamentos e praças da cidade.
Não basta que o policiamento se apresente em determinado bairro ou região. É preciso que esteja presente com regularidade em todos os espaços, porque, por exemplo, se o cidadão que mora no Bonfim se sente seguro, o mesmo poderá não ocorrer com o residente no Imbuí. A verdade é que a circulação pelas ruas de Salvador mostra que a situação não está, absolutamente, resolvida.
Criminosos até que mostram moderação - Trata-se de uma afirmação não com base em estatísticas depuradas do período, mas a verdade é que o crime em Salvador, afinal, não tem as dimensões assustadoras que os meios de comunicação, em geral movidos pelo jornalismo sensacionalista, faziam crer em suas reportagens hemorrágicas e notícias das mais sinistras.
Nestes 12 dias de greve policial, tivemos, de fato, inicialmente, uma onda de vandalismo patrocinada, ao que parece, pela parte podre do movimento. Depois, pelo efeito da consciência de que a cidade estava despoliciada, houve arrombamentos e saques, especialmente nos bairros populares.
Nessa fase ocorreu uma retração acentuada do público, assustado com o noticiário e estimulado também pelo fechamento de parte das lojas de comércio e serviços. Mas o quadro, podemos dizer, estabilizou-se, com a ajuda, ainda que inapropriada e de pouca otimização, das Forças Armadas e da Força de Segurança Nacional.
Mídia pediu arrego - As tropas federais não cobriram todas as necessidades, embora tenham contribuído para a percepção de segurança. Aos poucos, a movimentação de pessoas foi aumentando nas ruas, com a grata constatação de que, mesmo sem PM, o céu não estava desabando sobre a cabeça de ninguém.
Nos últimos dias, os apelos da própria mídia têm sido patéticos. Sem esconder a vinculação a interesses - do turismo, da indústria, da propaganda, da música, do Carnaval -, jornais e emissoras se esforçam para demonstrar o “clima de normalidade”, com bares repletos após uma não tão longa, mas tenebrosa noite.
(Por Escrito)