Familiares e amigos do empresário André Cintra Santos, de 55 anos, e do estudante de engenharia ambiental Matheus Braga Cintra, de 21 anos, reuniram neste domingo (29) no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador, para acompanhar o sepultamento de pai e filho. Os dois foram assassinados com 18 tiros, na última sexta (27), na Avenida Paralela.
A polícia baiana investiga a possível ligação entre o duplo assassinato e a disputa pelo terreno avaliado em R$ 14,5 milhões, situado na Avenida Paralela, onde ocorreu o crime. Trata-se de um lote de 240 mil metros quadrados, em uma das mais movimentadas avenidas de Salvador.
A disputa judicial pela posse do terreno se arrasta há mais de uma década. Foi iniciada porque o antigo proprietário teria morrido antes de passar a escritura ao suposto comprador da área e de quem André Cintra Santos teria se tornado sócio.
A empresa FB&A Construções se considera detentora da propriedade. O processo corre na 19ª Vara Cível de Salvador.
O empresário André Cintra Santos era bastante conhecido no Judiciário baiano e chegou a testemunhar na investigação da Operação Janus, que descobriu um esquema de venda de sentenças na Justiça do Estado, em 2008.
O advogado da família Cintra, James Adorno informou, neste final de semana, que o empresário dizia receber ameaças de morte. Para o advogado, o crime pode ter ligação com o processo relativa à posse do terreno na Avenida Paralela.
Segundo Adorno, André Cintra obteve recente vitória significativa, o que contrariou interesses empresariais de mega especuladores. Ao Ministério Público, o empresário assassinado teria denunciado a existência de organização criminosa neste setor: “Quem se aproveitaria da eliminação de André?”, indagou o advogado.
Na opinião de James Adorno, André Cintra considerava que as ameaças eram feitas apenas para intimidá-lo. “Ele subestimou a crueldade destas pessoas”.
(Bahia Toda Hora)