O barril de pólvora do Flamengo está prestes a explodir. Os últimos dias foram conturbados, com cobrança de atrasados feita pelos jogadores, desencontro entre o departamento financeiro e o futebol, e office boy indo a Londrina levar os contratos de Felipe e Renato para serem assinados às pressas. Mas o clube se afunda cada vez mais na crise. O Rubro-Negro fechou a semana sem um acordo com a Traffic, e a viagem de Ronaldinho Gaúcho para a Bolívia está ameaçada.
O avião que levará a delegação de São Paulo a Santa Cruz de La Sierra no fim da tarde de segunda-feira poderá decolar sem Ronaldinho. Sem receber a maior parte dos salários há cinco meses (total de R$ 3,75 milhões), parte de responsabilidade da Traffic, o futuro do atacante está em xeque. No início da madrugada deste sábado, Assis, irmão e empresário do camisa 10, não garantiu o embarque do jogador:
- Hoje não tenho como responder (se ele viaja). Espero uma resposta do Flamengo e da Traffic. Só depois tomarei uma posição. Quero uma solução. Não pode ter mais um ano de espera. Não podemos fazer nada com a imagem do atleta, pois não existe acordo entre as partes. É complicado e ficamos de mãos atadas. Estou aguardando os parceiros se pronunciarem - afirmou, por telefone.
Hoje não tenho como responder (se ele viaja). Espero uma resposta do Flamengo e da Traffic. Só depois tomarei uma posição. Quero uma solução. Não pode ter mais um ano de espera. Não podemos fazer nada com a imagem do atleta, pois não existe acordo entre as partes. É complicado e ficamos de mãos atadas"
Assis
Internamente, porém, a cúpula de futebol ainda acredita que Ronaldinho viajará com a delegação. Isso tudo às vésperas dos jogos decisivos contra o Real Potosí pela pré-Libertadores, dias 25 de janeiro e 1º defevereiro. O clube volta a ficar em estado de ebulição.
Traffic e Flamengo caminham para um entendimento e precisam assinar o contrato para que, enfim, o dinheiro seja depositado. A solução do caso ainda esbarra nas questões técnicas ligadas ao futuro programa de fidelidade para o torcedor. A novela se arrasta sem um capítulo final.
Apesar de o jogador ter contrato até o fim de 2014, o futuro dele no Flamengo está em risco. Assis diz que R10 tem propostas, uma inclusive é de um clube brasileiro que jogará a Libertadores.
Londrina x Gávea
Luxa: pensativo e insatisfeito com momento do Fla
(Foto: Janir Júnior / GLOBOESPORTE.COM)
Em Londrina, Vanderlei Luxemburgo está no limite da paciência com a falta de reforços, a situação de Ronaldinho Gaúcho e também a falta de decisões por parte do primeiro escalão do Rubro-Negro. A ausência de Patricia Amorim em Londrina foi questionada pelo grupo, que aguardava uma satisfação da presidente.
Em meio ao turbilhão durante a semana, Vanderlei e o diretor executivo de futebol, Luiz Augusto Veloso, pouco conversaram nos dias em que o dirigente esteve na pré-temporada. No treino da tarde desta sexta-feira, Veloso deixou o CT SM Sports pouco antes de a imprensa ser autorizada a entrar. Requisitado pelos jornalistas para esclarecer a situação de Thiago Neves, disse através da assessoria de imprensa que o Flamengo não se pronunciaria.
Como não é novidade, Luxa também está insatisfeito com o vice de finanças Michel Levy, seu maior desafeto no clube. Ultimamente, por conta da aversão de Veloso aos microfones, Levy passou a ser a principal voz no departamento de futebol.
Em vez de estancar a crise, a entrevista de Patricia Amorim ao GLOBOESPORTE.COM jogou lenha na fogueira. Na coletiva de terça-feira, Vanderlei defendeu a presidente. Mas não teve o mesmo respaldo.
Entre as declarações mais fortes de Patricia que causaram maior desconforto em Londrina, a dirigente afirmou:
- Quem manda no clube sou eu;
- Se o treinador quer ser vice de finanças, e o vice de finanças quer ser treinador, a coisa não vai acabar bem.
(Eric Faria, Janir Júnior e Richard Souza,
Globoesporte.com)
- Quem manda no clube sou eu;