Salvador - O jornalista Wellington Fonseca Ribeiro, o popular "Major", 62 anos, morreu no final da noite de ontem no setor de emergência do Hospital Roberto Santos. Ele não resistiu a complicações provocadas pelo diabetes e a hepatite.
Ribeiro trabalhou em A Tarde, no extinto Jornal da Bahia e na Secretaria Municipal de Comunicação Social, além de ter colaborado com outros veículos de comunicação, como o
Jornal da Mídia, com artigos e matérias.
|
| Wellington Fonseca Ribeiro: polêmico e contestador. |
Baiano de de Campo Alegre de Lourdes, ele era formado em Jornalismo e Filosofia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), e em Direito pela Universidade Católica do Salvador. Foi presidente do Diretório Acadêmico da Escola de Biblioteconomia e Comunicação da UFBA, atual Facom, durante a ditadura militar.
Em 2006, foi candidato a deputado federal pelo PDT. Como slogan usou a frase: "É um baiano, poeta doido, mas não é ladrão". Todo seu material de campanha continha também um poema tropicalista de sua autoria: "Sou doido pela Bahia, maluco pelo Brasil, alucinado por nossas riquezas, azul, vermelho, branco, verde, amarelo, desfenomenal, soy louco por ti América". E abaixo seguia a assinatura: "Wellington Ribeiro, Poeta Federal".
"Ele era apaixonado pela política, foi motivador de muitos de sua geração para a defesa de grandes causas nacionais, especialmente a redemocratização", comentou o jornalista Luís Augusto Gomes, um de seus amigos mais próximos.
Gomes lembrou um episódio que evidencia sua capacidade de articulação: em 1975, em Brasília, durante estágio universitário promovido pela Câmara dos Deputados, Ribeiro conseguiu se eleger orador do grupo em votação de dois turnos, apesar da delegação baiana, com 12 estudantes, ser menor que a paraibana, com 19, e a gaúcha, com 26.
Após retornar do estágio em Brasília, Ribeiro foi detido por seguranças da UFBA, após discursar contra a ditadura na Reitoria, e levado para o Hospital Psiquiátrico Ana Nery, de onde fugiu três meses depois. Ele lembrava que foi amarrado em cama de ferro, isolado em quarto forte e completamente dopado por drogas.
"Major foi o idealizador do Movimento Brasil Brizola, que se transformou num núcleo da campanha presidencial do falecido ex-governador Leonel Brizola, em 1989, atraindo segmentos que não se sentiam à vontade para atuar com a direção do PDT na época", lembrou Gomes, que também fez parte do movimento.
Em 1981, no Campus da UFBA, em Ondina, durante a 34ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Salvador, Ribeiro redigiu – com a colaboração dos professores Joviniano Neto e Maria Brandão –, moção pela recolocação da filosofia e da sociologia no ensino médio do Brasil, que foi aprovada por unanimidade e quase 30 anos depois tornada realidade.
Ribeiro era polêmico e um eterno contestador. Seus amigos têm sempre uma história para contar sobre suas aventuras. Também foi escritor. Na década de 80, publicou o poema-livro “Mato Verde-Mato Verde, Amazônia-Amazônia”, para homenagear e defender a Amazônia brasileira, que ele considerava patrimônio da humanidade.
Atualmente, Ribeiro era coordenador do Movimento Cristão em Defesa do Metrô, que propõe a adoção do nome do papa João Paulo II para o metrô de Salvador. Ele se considerava o primeiro contestador na imprensa da mudança do nome do aeroporto de Salvador, que passou de Dois de Julho para Deputado Luís Eduardo Magalhães.