Roma - O filho da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento em seu país sob acusação de adultério e homicídio, disse que se a pressão da comunidade internacional a favor de sua mãe diminuir ela morrerá.
Em entrevista veiculada hoje pelo jornal italiano Corriere della Sera e feita pelo filósofo francês Bernard-Henri Lévy, Sajjad Ghaderzadeh, de 22 anos, contou as condições nas quais vive Sakineh, e que a situação na prisão onde ela está é muito difícil.
"Sofre incessantes interrogatórios da parte dos serviços iranianos. Perguntam, por exemplo, como sua fotografia está em todo o mundo e quem, segundo ela, lançou essa mobilização internacional", comentou o jovem.
Sajjad também sugeriu dirigir-se ao Brasil e à Turquia, que têm "relações privilegiadas" com a República Islâmica, para prosseguir com a pressão no caso de sua mãe.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já manifestou anteriormente intenção de ajudar Sakineh, oferecendo a ela asilo. O governo de Mahmoud Ahmadinejad, no entanto, respondeu dizendo que o brasileiro estava "desinformado" sobre a questão.
A iraniana de 43 anos foi condenada à morte em 2006 e a primeira decisão judicial a punia com 99 chibatadas; depois, a pena foi convertida em morte por apedrejamento e, posteriormente, em execução por enforcamento. Na semana passada, a audiência sobre o caso de Sakineh foi adiada pela terceira vez.
Na cadeia, ela toma muitos remédios, sobretudo antidepressivos, e se encontra em um local da penitenciária no qual estão detidas outras mulheres da cidade de Tabriz, norte do Irã, em pequenas celas que abrigam de 15 a 20 pessoas. "É possível que depois de sua aparição na televisão tenham colocado-na em uma cela individual", acrescentou Sajjad.
Sobre a confissão que sua mãe teria feito a uma emissora local, admitindo participação na morte do marido, o filho ressaltou que o vídeo foi realizado depois que ela foi torturada. "As autoridades precisavam daquela confissão para poder reabrir o caso do homicídio do meu pai", explicou o jovem, que não acredita que a mulher tenha responsabilidade no episódio.
Na Itália, na manhã de hoje uma gigantesca imagem de Sakineh foi exposta na sede do governo da província de Roma, enquanto diversas autoridades e personalidades aderiram à campanha internacional em defesa da iraniana condenada à morte por apedrejamento.
Entre eles, já se manifestaram a favor os ministros de Relações Exteriores, Franco Frattini; da Igualdade de Oportunidades, Mara Carfagna; da Juventude, Giorgia Meloni; da Educação, Mariastella Gelmini; e do Meio Ambiente, Stefania Prestigiacomo.