La Paz - O encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos na Bolívia, John Creamer, pediu hoje o governo deste país que supere as diferenças do passado e trabalhe de forma conjunta "para mitigar os problemas e danos" causados pelo narcotráfico.
Creamer fez a declaração logo após o presidente boliviano, Evo Morales, admitir que o tráfico de drogas conta com "mais tecnologia e equipamentos" do que as forças locais e lançar críticas aos Estados Unidos em relação a este tema.
Para Morales, os EUA utilizam a luta contra o narcotráfico e o terrorismo "com fins claramente políticos". Nos anos 80 "a direita e os Estados Unidos satanizava os líderes trabalhistas acusando-os de serem comunistas para justificar a repressão".
Por outro lado, desde o atentado contra as Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, em Nova York, "a acusação já não é de comunistas, mas sim de terroristas". "Chegaram a dizer que Evo Morales era o [Osama] Bin Laden andino e os produtores de coca foram identificados como talibãs", recordou o líder indígena ao participar do ato de apresentação do representante do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), César Guedes.
Por sua vez, o norte-americano disse compartilhar da preocupação boliviana, referindo-se ao narcotráfico e às responsabilidades dos países consumidores dos entorpecentes. Porém, lembrou que Washington atua em programas de prevenção e apoio logístico.
"O que temos que fazer é superar as diferenças ideológicas, superar os problemas do passado e nos focar, como comunidade internacional, para trabalhar e superar esse problema, mitigando os danos causados pelo narcotráfico", esclareceu Creamer.
Em declarações à imprensa boliviana, ele também qualificou de "muito positiva" a presença das ONU no país andino.
Atualmente, o diplomata é o principal representante da Casa Branca na Bolívia desde a expulsão do embaixador Philip Goldberg, em setembro de 2008. A partir de então, os laços diplomáticos entre as duas nações são mínimos.
Goldberg foi acusado de conspirar contra as autoridades locais. Na mesma época, a administração do então presidente norte-americano, George W. Bush, respondeu expulsando o diplomata Gustavo Guzmán.