A área de segurança pública do governo Wagner é um vexame. Há muito exibicionismo. A cada semana o governo anuncia a entrega de centenas de viaturas e motos. Quando se prende um bandido, então, é uma festa. Bonita mesmo é a propaganda oficial do governo. Um requinte de produção, mostrando uma Bahia que só mesmo os publicitários conseguem enxergar.
O crime não poupa sequer as autoridades policiais. O assassinato do delegado Clayton Chaves, em Camaçari, repercutiu no mundo.
A violência tomou conta da Bahia. Os índices de criminalidade são alarmantes. Para se ter uma ideia, na Região Metropolitana de Salvador o número de homicídios aumentou 49% somente este ano. Os assaltos a bancos, alguns deles cinematográficos, já fazem parte da rotina dos 417 municípios da Bahia. Os moradores de Laje, no Vale do Jiquiriçá, que o digam. Ontem, a agência do Banco do Brasil foi assaltada. Os bandidos chegaram no domingo, sequestraram o gerente, pernoitaram na casa dele e, na manhã seguinte, efetuaram o roubo. Uma teta.
A área de segurança pública do governo Wagner é um vexame. Há muito exibicionismo. A cada semana o governo anuncia a entrega de centenas de viaturas e motos. Os equipamentos ficam expostos dias e dias na área da Paralela para todo mundo ver. Após a exibição, as viaturas simplesmente desaparecem. Quando se prende um bandido, então, é uma festa. Entrevista coletiva, fotos e flashes. Puro marketing.
O que ninguém percebe é o efeito disso na vida das pessoas. Pelo contrário. O sentimento é de abandono. Assaltos a restaurantes, saidinhas bancárias, roubos de carros (por conta do aumento desta modalidade de crime os baianos estão pagando mais caro pelo seguro de veículos) e os assassinatos se multiplicam. O crime não perdoa sequer as autoridades policiais: na semana passada, o País inteiro acompanhou comovido o drama do delegado Clayton Chaves, morto a tiros enquanto dava uma entrevista a uma rádio de Camaçari. O homicídio teve repercussão mundial. Matérias foram distribuídas pelas principais agências internacionais, como a espanhola EFE. O tom era um só: o descontrole da criminalidade na Bahia.
Os assaltos em restaurantes se repetem. Confira as imagens incríveis desse assalto a uma churrascaria na Pituba. Os bandidos passaram mais de 10 minutos levando tudo dos clientes. Um homem tentou reagir e houve pânico.
Veja o depoimento da leitora do Jornal da Mídia Eunice Espínola. “Tive meu carro roubado na porta de casa, na Rua Oito de Dezembro, na Graça. Ninguém viu nada. Fui à delegacia mais próxima dar queixa e... estão em GREVE! Até uma informação de onde me dirigir foi difícil de arrancar, mas de tanto insistir a resposta veio: “Senhora a policia está TODA em greve!”.
Este é o sentimento das ruas: medo, impotência, falta de confiança nas autoridades policiais.
Bonita mesmo é a propaganda oficial do governo. Um requinte de produção, mostrando uma Bahia que só mesmo os publicitários – que ganham uma fortuna produzindo cada peça – conseguem enxergar. E haja comercial. É o dia todo. No horário nobre, então, é uma verdadeira farra. É a “Bahia terra de todos nós”. Minha, sua, do crack, do puxador de carro, do crime organizado, dos grupos de extermínios.
Governador, pede para o pessoal da propaganda manerar, ter mais sensibilidade. Pega até mal saber que o governo gasta mais em propaganda do que em segurança pública. O pessoal do PT odiava o velho ACM por conta destas distorções, lembra? E assistimos, incrédulos, o mesmo filme. O que a população quer é proteção, é viver em paz, é ter o direito de ir e vir, de sentar num barzinho e jogar conversa fora sem preocupação, o direito de trocar um Fiat Uno por um Palio e não ter receio de ter o carro tomado, de achar que está ostentando. Imagina...
E por favor, governador: sem essa de sair por aí dizendo que se soubesse como resolver a questão da segurança pública estaria milionário. Não é essa a desculpa que se espera da autoridade máxima do estado.