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:: Opinião ::
Artigo
Carro zero, um péssimo investimento
  • Wenderson Wanzeller (*)
  • Sábado, 29/05/2010 08:53

    Do ponto de vista financeiro, adquirir um carro zero para passeio é um dos piores investimentos a se fazer. Primeiro: porque os valores dos veículos são absurdamente altos. Segundo: porque as condições disponíveis de financiamento são perversas. E por último: porque os carros só agregam despesas no orçamento familiar.

    No ato da compra de um carro zero, a desvalorização do bem gira em torno de 20%. Só para se ter uma idéia, um carro de R$ 30.000,00, pelo simples fato de sair da concessionária, já causa um prejuízo de R$ 6.000,00 ao comprador. Se considerarmos as despesas de IPVA, emplacamento e seguro contra roubo, agrega-se um custo de mais 10%, ou seja: R$ 3.000,00. Um total de R$ 9.000,00 entre desvalorização e despesas. E isso fora os acessórios (rádio, tapete, película), revisões e combustível.

    Dependendo da forma de pagamento o prejuízo pode aumentar. Se o consumidor der o carro usado de entrada, a desvalorização é tão alta que chega a ser uma afronta. Geralmente em torno de 15% do valor de mercado. E o curioso é que logo após a entrega do carro usado, como num passe de mágica, ele é promovido a seminovo e o preço sobe em torno de 15% em relação ao mesmo valor de mercado.

    E os absurdos não param. Se o consumidor optar pelo financiamento no banco ou financeira, aí é que as coisas se complicam.

    Para quem ainda não conhecia, apresento à infame TAC: Tarifa de Abertura de Crédito. Atualmente ela é cobrada em torno de R$ 1.000,00 para cada financiamento realizado. Um absurdo sem precedentes. Nada justifica este valor. É muito dinheiro e a mesma quase sempre é embutida no financiamento sem que o consumidor tome conhecimento.

    Retorno 10 ou R10. Essa é a comissão que os bancos pagam às concessionárias ou aos corretores a título de comissão. O retorno pode variar entre R0 (sem retorno) e R10 (10% de comissão sobre o valor financiado). Na verdade o retorno não deveria nem ser considerado como comissão, pois ele é embutido nas prestações conforme a cara do cliente. Não existe nenhum critério. E o lucro com o mesmo costuma ser tão alto que algumas concessionárias e revendedoras chegam a zerar a margem de lucro na venda do veículo em prol dessa “comissão”.

    Em relação às taxas de juros, não vale à pena perder tempo explicando. Todos sabem que elas estão entre as maiores do mundo. Além do mais, os prazos de financiamento – que já ultrapassam os 80 meses para pagamento – são verdadeiras armadilhas. Quanto maior o prazo, maior a taxa e, consequentemente, o retorno embutido pelos intermediários.

    É preciso deixar claro que carro de passeio não é bem e está longe de ser um investimento. É pura despesa. A decisão de comprar um veículo deve ser muito bem ponderada. Em termos financeiros, um carro é praticamente outro membro da família. E dependendo do valor da prestação, seguro e consumo de combustível, o custo mensal pode comprometer mais de 50% de uma renda familiar.

    Os órgãos de defesa do consumidor e os legisladores precisam ficar atentos. Não se justifica, sob nenhuma hipótese, a cobrança de TAC ou de retornos tão altos sobre contratos de financiamento de veículos.


    • Wenderson Wanzeller é atuário e comentarista financeiro.

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