Buenos Aires - O chefe de gabinete da presidência argentina, Aníbal Fernández, respondeu hoje a uma juíza federal, que acusou o governo de tentar pressioná-la com a prisão de seu pai, ex-militar de 85 anos acusado de ter cometido crimes de lesa-humanidade na ditadura.
Ontem, a magistrada María José Sarmiento, autora de sentenças contrárias ao governo, disse que "não acreditava em coincidências", ao comentar o pedido de prisão emitido contra seu pai, o coronel na reserva Luis Alberto Sarmiento, que atuou na província de Misiones no regime militar (1976-1983). "Claro que eles estão tentando me pressionar", afirmou a juíza.
No início do ano, Sarmiento foi a juíza responsável no caso da criação do Fundo do Bicentenário, idealizado pelo Executivo para saldar parte da dívida do país. Na ocasião, ela vetou a criação do fundo, como também restituiu Martín Redrado à presidência do Banco Central, após ele ter sido exonerado pelo Executivo.
Hoje, Fernández reiterou que o governo de Cristina Kirchner não atua "por vingança", mas por "justiça". Portanto, os que cometeram crimes contra a humanidade devem prestar contas à Justiça, mesmo que "sejam velhinhos de 85 anos e que estejam doentes".
"O processo [contra o ex-militar] tem 42 casos pontualmente denunciados por familiares dos mortos e dos desaparecidos, e das próprias vítimas, sobre a privação ilegítima de liberdade e torturas", esclareceu.
Ele ainda argumentou que o juiz de Misiones decidiu emitir a ordem de prisão porque Sarmiento "é acusado de crimes de lesa-humanidade, pela gravidade dos fatos e para impedir que fuja". Mais cedo, Cristina disse que seu governo "não sabia" que o ex-militar era pai da juíza.