Havana - Um grupo de dissidentes cubanos solicitou ao presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que atue como mediador para tentar negociar junto ao governo da ilha caribenha a libertação de presos políticos.
O anúncio foi feito à ANSA por Manuel Costa Morua, membro do moderado grupo Arco Progressista, de tendência social-democrata.
Os dissidentes já enviaram uma petição à Embaixada da Costa Rica em Havana. Eles querem que o presidente Arias, ganhador de um Nobel da Paz na década de 1980, também tente convencer o jornalista Guillermo Fariñas a desistir da greve de fome que realiza há 18 dias.
"Pedimos que exerça sua influência com Fariñas para que ele abandone a greve, e que se comprometa a nos ajudar para conseguirmos a libertação destes 20 detidos que estão em uma precária situação sanitária", disse Morua.
Fariñas, que tem 48 anos, desmaiou há dois dias e foi internado às pressas em um hospital de Santa Clara, onde vive. Segundo informações divulgadas ontem, seu estado é estável, mas grave. Ele já recobrou a consciência.
O jornalista iniciou sua 23ª greve de fome desde os anos 90 após a morte de Orlando Zapata Tamayo, dissidente que faleceu em virtude de uma greve de fome que durou 85 dias. Ele também pede a libertação de 26 presos políticos que estão doentes.
O Arco Progressista decidiu recorrer a Arias depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não acolheu um pedido feito com o mesmo objetivo.
Sobre a recusa, Morua disse que a postura "não condiz com a liderança regional" do Brasil e com "os valores tradicionais que Lula sempre defendeu".
"Lamentamos que não nos ajude a partir de sua influência com os irmãos Castro", afirmou o opositor.