San José - O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, expressou hoje seu apoio ao dissidente cubano Guillermo Fariñas, que há 15 dias faz uma greve de fome para pedir ao governo a libertação de 26 presos políticos doentes.
Em uma declaração pública, Arias disse que se une ao "coro de indignação que percorre boa parte da América e do mundo".
Ele lembrou também que, enquanto governantes latino-americanos se reuniam em Cancún para duas cúpulas regionais com o objetivo de falar de democracia e liberdade, morreu em Cuba o dissidente Orlando Zapata Tamayo.
Zapata Tamayo faleceu no dia 23 de fevereiro, data da conclusão das conferências regionais do México. Ele permaneceu 85 dias também em greve de fome.
Arias fez uma ponderação, porém, sobre o uso da greve de fome como forma de manifestação. "Sem dúvida, a greve de fome é uma arma delicada como ferramenta de protesto. Seria arriscado se qualquer Estado de Direito se visse na obrigação de libertar detidos porque decidiram recusar a alimentação", disse.
Por outro lado, o mandatário lembrou que os presos em questão "não são como os demais, nem Cuba cumpre as condições de um Estado de Direito".
"São presos políticos ou de consciência, que não cometeram outro crime além de se opor a um regime, julgados por um sistema de independência questionável e que devem sofrer penas excessivas sem terem causado danos a outras pessoas", argumentou.
No início da semana, o governo cubano disse que não vai se responsabilizar pelas consequências da postura de Fariñas, que tem 48 anos. Em seguida, o próprio dissidente afirmou que a resposta de Havana serviria a ele de "estímulo".