Madri - A chancelaria espanhola enviou hoje ao governo de Cuba o texto em que o juiz Eloy Velasco aponta "indícios" de cooperação entre o Poder Executivo da Venezuela com uma suposta "aliança" entre a organização separatista basca ETA e a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, justificou a medida devido às suspeitas do magistrado de que "interlocutores do ETA com as Farc" estejam residindo em território cubano.
"O governo transmitiu o documento às autoridades venezuelanas e cubanas e exigiu plena atuação de nossas embaixadas para a cooperação" desses países, explicou Moratinos no Congresso de Deputados.
Na última segunda-feira, o texto em questão já havia sido entregue à representação da Espanha na Venezuela para que fosse levado ao presidente Hugo Chávez.
No sábado passado, os governos de Madri e Caracas emitiram um comunicado conjunto em que ratificaram "sua mais enérgica condenação ao terrorismo", assim como o compromisso de "continuar colaborando" nas investigações.
No dia 1º de março, Velasco divulgou um suposto plano conjunto das Farc e do ETA para assassinar o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.
O chanceler venezuelano, Nicolas Maduro, acusou o juiz de fazer parte de uma suposta "máfia do ex-chefe de governo José María Aznar" e da "pior" parte do Partido Popular (PP) da Espanha.
O governo venezuelano não mantém boas relações com essa força política espanhola, pois ela teria apoiado a tentativa de golpe de Estado contra Chávez em 2002.
Hoje, o líder do PP, Mariano Rajoy, exigiu que o chefe de governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, convoque o embaixador da Venezuela em Madri para "expressar" um "enérgico repúdio" às declarações de Maduro.
Segundo Rajoy, deve ser entregue um documento "por escrito" para que não fique a "sensação de que se pode insultar a Espanha ou o seu governo".