Salvaor - A direção do Sindicato dos Cordeiros entregou, na manhã desta quarta-feira (10), o relatório do Carnaval 2010 ao coordenador geral da festa, o vice-prefeito Edvaldo Brito. Estavam presentes o presidente Percival Bispo, o tesoureiro Mateus Silva e o secretário Matias Silva. Consta do documento CD com dezenas de fotografias que atestam as irregularidades cometidas pelos blocos, como o pagamento de diária abaixo do estipulado pelo Estatuto das Festas Populares e o Termo de Compromisso assinado na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), o não fornecimento de luvas, protetor solar e água, e a contratação de adolescentes, grávidas e idosos.
O trabalho de fiscalização do sindicato foi feito por 15 pessoas durante os seis dias de folia na Barra e no Campo Grande. Somente os blocos Meu e Seu e Filhos de Gandhy cumpriram o que exigia o Termo de Compromisso. Os cordeiros dos blocos Araketu e Ilê Aiyê reclamaram da falta de pagamento das diárias e foi preciso realizar audiências na SRTE para que recebessem o dinheiro.
Lanche - Os sindicalistas querem rediscutir o lanche, pois alegam que dois pacotes de biscoitos e duas barras de cereais não alimentam quem trabalha mais de 12 horas por dia. Eles informaram que os cordeiros chegam cedo para segurar a corda, mas, por conta dos atrasos, muitas vezes só começam a trabalhar seis horas depois. E, na hora da saída do bloco, já com fome, recebem lanche e água quente para todo o percurso. “Com o atraso, quem é prejudicado é o cordeiro, pois não recebe hora extra e nem insalubridade. Estamos pensando em propor a distribuição de um sopão na concentração, patrocinado por alguma empresa ou pelos blocos, para diminuir a fome”, diz Percival.
O tesoureiro Mateus Silva defende que o lanche oferecido pelo bloco seja “um almoço leve, nutritivo, que garanta força para quem vai segurar a corda, e o suco é essencial, pois ajuda a hidratar, mas que não seja quente, exposto ao sol, como tem sido até hoje”.
Eles denunciam que este ano faltou cordeiro, e apenas 45 mil trabalharam, pouco mais de 60% do ano passado, o que teria feito com que alguns blocos importassem trabalhadores de cidades vizinhas. O motivo, eles acreditam, são as condições de trabalho com uma diária muito barata. Para o próximo ano, o sindicato reivindica que os cordeiros tenham direitos comuns a outros trabalhadores garantidos na lei, como insalubridade – por conta da exposição ao som alto –, hora extra e adicional noturno. “É interessante também que seja criada uma farda por cada bloco, incluído o sapato, que já está na pauta da SRTE para as reuniões que começam na próxima semana reunindo o órgão, os blocos e os cordeiros”, informa o secretário Matias Silva.
O coordenador geral do Carnaval, vice-prefeito Edvaldo Brito, recebeu o documento e vai entrar em contato com a SRTE para ser informado sobre as punições. No final da audiência, pediu que continuem trabalhando juntos para o aprimoramento do Estatuto das Festas Populares e, consequentemente, a melhoria da situação de todos os trabalhadores da folia.