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Golpe de Estado
Imprensa de Honduras denuncia casos de censura
  • Agência ANSA
  • Quinta-feira, 02/07/2009 - 23:10

    Tegucigalpa - O governo de fato de Honduras, que tomou o poder por meio de um golpe de Estado no último domingo, mantém fechados os canais de TV e as emissoras de rádio que defendem o presidente deposto Manuel Zelaya.

    O dono do Canal 36, Esdras Amado López, denunciou hoje que sua emissora de TV está há mais de 100 horas fora do ar por conta da intervenção do Exército. "O canal continua sob o controle militar desde o último domingo. Nossas instalações estão sendo ocupadas por um batalhão de militares fortemente armados", revelou.

    López ressalta que a operação do Exército no edifício do Canal 36 é "ilegal, porque viola a Constituição da República e a Lei de Emissão do Pensamento".

    "Eu exijo que as autoridades, que enchem a boca dizendo que são democráticas e que respeitam a Constituição da República, reabram o Canal 36 sem [impor] nenhuma condição e que os responsáveis pela invasão sejam submetidos aos tribunais de Justiça por tão flagrante violação da liberdade de imprensa", afirmou o empresário.

    López disse que sua segurança pessoal está sendo garantida pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. Na mesma linha, o presidente da Associação de Jornalistas de Honduras, Élan Reyes, exigiu que o governo do presidente de fato, Roberto Micheletti, reabra os veículos da imprensa.

    "Apesar do que está acontecendo, acredito que a informação deve fluir sem nenhum tipo de restrição", defende Reyes, acrescentando que a imprensa deve praticar "um jornalismo responsável, prudente e equilibrado, sem nenhum tipo de restrição".

    Os dirigentes trabalhistas que defendem a volta de Zelaya ao poder acusam os meios de comunicação favoráveis ao golpe de Estado de só noticiarem as manifestações em apoio ao governo de fato.

    Zelaya foi destituído no dia em que pretendia promover uma consulta popular sobre a realização de um referendo que seria realizado em novembro, para convocar a Assembleia Constituinte que redigisse uma nova Carta Magna.

    O presidente afirmava que sua intenção era instaurar em Honduras uma democracia participativa, que substituísse o atual modelo representativo. A oposição, por sua vez, alegava que a consulta popular era uma manobra de Zelaya para continuar no poder após o fim de seu mandato, em janeiro de 2010.

    Na semana passada, o Congresso Nacional do país aprovou uma lei para regulamentar a realização de referendos no país. Com a nova norma, o pleito do domingo foi declarado ilegal por não atender a uma série de exigências do texto votado no Legislativo.

    A realização da consulta popular também foi condenada pelo Judiciário do país. Os militares foram aconselhados a desobedecerem às ordens de Zelaya. No domingo, o então presidente foi detido por algumas horas e, em seguida, teve que deixar o país.

    O golpe foi duramente criticado pela comunidade internacional. Países da América Latina como Argentina, Brasil e Venezuela pediram a restituição do poder ao presidente deposto. Em gesto de desaprovação ao golpe, os Estados Unidos suspenderam os exercícios militares conjuntos com Honduras.

    A ONU e a Organização dos Estados Americanos (OEA) também condenaram o afastamento de Zelaya. O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, irá amanhã ao país para notificar as autoridades sobre o retorno do presidente deposto.

    AnsaLatina

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