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Acordo entre Rússia e Azerbaijão para gás aperta cerco à UE
  • AGÊNCIA LUSA
  • Segunda-feira, 29/06/2009 - 21:18

    Baku - A empresa russa Gazprom assinou nesta segunda-feira um contrato com a Companhia Pública de Petróleo do Azerbaijão (GNKAR) sobre o fornecimento de gás à Rússia, o que é visto como mais uma passo para inviabilizar a construção do gasoduto Nabucco.

    Segundo as agências russas, “o documento, que fixa as condições fundamentais da aquisição de gás natural, foi assinado pelo diretor da Gazprom, Alexei Miller, e pelo dirigente da GNKAR, Rovnag Abdullaev, depois das conversações entre o presidente russo, Dmitri Medvedev, e o seu homólogo azeri, Ilkham Aliev”.

    O contrato prevê o fornecimento de 500 milhões de metros cúbicos por ano a partir de 1° de janeiro de 2010, mas os fornecimentos deverão aumentar.

    “Planejamos, posteriormente, aumentar os fornecimentos de gás à medida que aumentarmos a extração de gás azeri”, declarou o presidente Aliev.

    Segundo Aliev, o volume de extração de gás no Azerbaijão deverá subir de 27 bilhões de metros cúbicos em 2009 para 30 bilhões em 2010.

    “Hoje, lançamos uma boa base para a cooperação na esfera gasífera. Penso que será uma cooperação com muito êxito e mutuamente vantajosa”, frisou.

    A agência Ria-Novosti frisa que “até agora a Gazprom não comprava gás azeri”.

    Segundo alguns analistas, este documento é mais uma das tentativas russas de neutralizar o projeto “Nabucco”.

    Este gasoduto, que deverá ser financiado pela União Europeia, ligará a Ásia Central e a bacia do Mar Cáspio à Europa, ladeando o território russo.

    Alguns analistas consideram que o acordo russo-azeri vem juntar-se ao interesse da Rússia em participar na construção do gasoduto Transsariano, que irá ligar a Nigéria à Europa através do deserto do Saara, como forma de controlar as fontes de fornecimento de gás à União Europeia.

    Durante a visita à Nigéria, realizada na semana passada, o presidente Medvedev declarou que a construção do Transsaariano “é um projeto interessante para a Rússia”.

    Porém, Boris Tumanov, analista do diário digital gazeta.ru, chama a atenção para as palavras de Alexei Miller, dirigente da Gazprom, durante a mesma visita.

    “Tudo isso foi estragado por Alexei Miller, que, quase paralelamente ao presidente russo, preveniu a Europa das tentativas de diversificar as fontes de fornecimento de gás, porque, como ele explicou, isso pode deteriorar a sua segurança energética”, considera o analista.

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