Buenos Aires - O setor empresarial, a oposição e até membros do sindicato governista da Argentina criticaram a decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de estatizar três fábricas do grupo argentino Techint.
O titular da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Hugo Moayno, um fiel aliado do governo da presidente Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, afirmou não concordar com as decisões de Caracas.
"Não compartilho do fato de estatizarem empresas privadas porque não é a política que em sua época nos ensinou (Juan Domingo) Perón", declarou Moyano à Rádio Mitre. Dentro do governo argentino, não não há um discurso claro em torno da medida anunciada na última sexta-feira por Chávez, que visitou o país há pouco mais de uma semana.
A União Industrial e a Câmara de Comércio, associações que reúnem os bancos argentinos e estrangeiros, defenderam a Techint contra a nova medida que afetou a empresa. Chávez já interveio neste mesmo grupo num passado recente ao nacionalizar a siderúrgica Sidor.
"É difícil compreender como o governo de um país que manifesta publicamente o caráter estratégico da aliança com a Argentina, e busca estreitar os laços produtivos entre as duas nações (...), leva adiante ações que claramente põem em risco as atividades de uma empresa argentina", se pronunciaram os industriais num comunicado.
Chávez anunciou na última quinta-feira a estatização de diversas empresas siderúrgicas, entre elas três que integram o grupo argentino Techint. São elas Tavsa (Tubos de Aço da Venezuela SA), Matesi (Materiais Siderúrgicos) e Comsigua (Complexo Siderúrgico da Guiana).
Segundo o jornal argentino La Nación, a decisão desconcertou os aliados do ex-presidente Néstor Kirchner e Cristina Fernández de Kirchner.
O candidato a deputado pelo Acordo Cívico e Social (de centro-esquerda) Ricardo Alfonsín considerou que o governo deve atuar frente a nacionalização das empresas argentinas na Venezuela. "Me estranha que sejam tão amigos (Chávez e Cristina). Me parece que Chávez não é tão amigo porque cada vez que lhe pedimos dinheiro ele logo nos cobrava o triplo com relação ao resto", afirmou o filho do falecido ex-presidente argentino, Raúl Alfonsín.