Salvador - Durante os seis dias do Carnaval de Salvador, deverão ser comercializados 10 milhões de litros de cerveja e 8 milhões de litros de refrigerantes. Estas são estimativas iniciais das cervejarias e parte dos números que oferecem uma mostra do impacto econômico da maior festa popular do planeta.
De acordo com a Empresa Salvador Turismo (Saltur), ao longo de um ano de preparação e da festa propriamente, toda a indústria do Carnaval movimenta cerca de R$ 1 bilhão, em atividades diversas como confecção de fantasias, realização de shows e eventos, venda de camarotes, hotelaria e comércio varejista e de ambulantes, que geram 220 mil empregos temporários.
“Quem apostou do Carnaval de Salvador, saiu ganhando”, afirma o presidente da Saltur, Cláudio Tinoco. Ele enfatiza que, a despeito das dificuldades na preparação da festa com a redução dos recursos destinados a patrocínios em todo mundo pelas grandes empresas, devido à crise financeira internacional, quem investiu na festa baiana está colhendo os lucros. Isso vale para grandes e pequenos negócios.
Tinoco destaca a atenção especial que a Prefeitura destinou aos pequenos comerciantes. Este ano, o número de ambulantes foi ampliado de 3.360 e 3.760, permitindo que mais pessoas possam aumentar a renda de sua família em função da festa. Além dos ambulantes que trabalham devidamente credenciados, foram licenciados 117 barraqueiros para trabalhar no Carnaval. Nas ruas, quem conseguiu seu posto de trabalho comemora.
O comerciante Cléber Apresentação trabalha no Carnaval de Salvador há 16 anos, sempre no Largo do Campo Grande. Na sua barraca, que funciona como uma pequena empresa familiar, onde trabalham filhos, nora e irmãos, ele comercializa lanches feitos na hora, cerveja e refrigerantes. Este ano, ele inovou vendendo embalagens com uma dúzia de cerveja (sem gelar) a preço competitivo. "O resultado das vendas sempre é muito bom. Nem dá para comparar com a movimentação do negócio no resto do ano", comenta.
Para o sorveteiro Paulo Santana, o trabalho no Carnaval está garantindo uma renda duas vezes maior que a dos dias normais. É a primeira vez que ele trabalha durante os dias da festa. Seus principais clientes são as crianças. "Para mim está compensando trabalhar no Carnaval. As pessoas compram muita cerveja, mas também gostam um de sorvete ou picolé para refrescar".
Apesar de ter esperado uma movimentação ainda maior, o vendedor ambulante Elisandro Nogueira disse que durante o Carnaval vende muito mais que nas praias e shows onde costuma trabalhar durante o resto do ano.