Santiago - Organizações ambientalistas manifestaram-se nesta terça-feira contra a disputa do Rali Dakar, que pela primeira vez é disputado na América do Sul, com etapas na Argentina e no Chile.
As 21 entidades que integraram o manifesto questionaram a qualidade de esporte do rali, que, segundo asseguram, promove a destruição do planeta, divulgando uma declaração de sete pontos, na iminência da chegada dos competidores a território chileno.
As organizações ambientalistas afirmaram que "é um dever moral de primeira ordem, para com as atuais e as futuras gerações, que se abandonem padrões de consumo desnecessários e que têm importante peso" na mudança climática. Também pediram uma reflexão a respeito da competição e que o governo reconsidere e não mais permita que "nosso território seja considerado um mero campo de provas para as indústrias depredadoras".
Para os ambientalistas, somente a pressão de interesses econômicos que exploram "as formas de produção e consumo mais danosas" permitem a realização deste rali, que foi definido como "uma grande atividade publicitária que incentiva o consumo de veículos que exibem suas proezas".
Isso "gera na mente das pessoas sem muita consciência, mas com carteiras cheias, o interesse por esses veículos, que em seguida infestam os espaços naturais e também as ruas", acrescentaram.
As entidades afirmam que os veículos de tração dupla, os 4x4, são os que consomem as maiores quantidades de combustível. São 40 vezes mais que o transporte público e 20 vezes mais que um veículo de passeio. Também têm maior peso e volume, "e por isso constituem um maior risco para a segurança nas cidades".
Para esses movimentos ambientalistas, a presença do Rali Dakar será "uma verdadeira horda motorizada, composta por 600 veículos em competição, incluindo caminhões e outros veículos de apoio" e que "nada crescerá por onde o rali passar".
"Um fenômeno natural tão maravilhoso quanto o nosso Deserto Florido, que mostra que há vida nessas areias que muitos julgam estéreis poderá ser danificado irreparavelmente", completaram.
As organizações envolvidas no manifesto planejam para este fim de semana uma série de protestos, entre eles em frente à embaixada da França em Santiago, confirmou a ANSA o representante do Comitê de Defesa da Flora e da Fauna, Eduardo Rubilar