Bogotá - O ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou neste domingo que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) querem colocar o governo do país contra a parede ao anunciar que entregarão seis dos 28 reféns políticos que mantêm em cativeiro à senadora Piedad Córdoba.
Segundo Santos, o objetivo das Farc é "inflar politicamente" a Córdoba, uma das principais críticas e opositoras do presidente Álvaro Uribe.
"Sabíamos que isso ia acontecer, que o que pretendiam as Farc e Piedad Córdoba era tentar colocar o governo contra a parte, fazer um grande show e inflar politicamente Piedad Córdoba", disse ele em entrevista ao jornal El Tiempo.
O ministro disse esperar que as libertações prometidas ocorram o mais rápido possível, "para que (as Farc) deixem de brincar com a dor das famílias (dos reféns)".
Há duas semanas, a guerrilha anunciou a libertação, de forma unilateral, de seis reféns. O objetivo da ação, segundo o grupo, é dar uma prova de que está disposto a negociar um acordo humanitário com autoridades de Bogotá.
Entre os seqüestrados estão o ex-governador do departamento (estado) de Meta Alan Jara e o ex-deputado Sigifredo López, além de três policiais e um militar.
Em um comunicado, o grupo afirmou que os reféns seriam entregues a uma comissão encabeçada por Córdoba. Não foram revelados, porém, local ou data em que isso poderia ocorrer.
Ante a possibilidade de que a guerrilha também pedisse a mediação de algum interlocutor internacional de sua preferência, Uribe afirmou que não permitiria que a operação fosse transformada em um "espetáculo político", e garantiu que a única entidade autorizada pelo governo a participar das negociações é o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
Em 2007, as Farc haviam aceitado a mediação do presidente venezuelano, Hugo Chávez, para tentar um acordo humanitário, em que reféns seriam trocados por guerrilheiros presos. Alegando, porém, ingerência sobre questões colombianas, Uribe interrompeu a participação de Chávez, que é muito próximo de Piedad Córdoba.
Também em entrevista ao jornal El Tiempo, o alto comissário do governo colombiano para a paz, Luis Carlos Restrepo, disse que uma maior pressão da comunidade internacional sobre as guerrilhas que agem no país "ajudaria enormemente" as autoridades de Bogotá a buscar um diálogo que ponha fim ao conflito armado.
Segundo ele, caso a pressão que foi exercida anteriormente sobre o grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) se repetisse em relação às Farc e ao Exército de Libertação Nacional (ELN), ficaria mais fácil negociar a paz.
"Há uma espécie de preconceito nacional e internacional, que enxerga com bons olhos a negociação com um terrorista de esquerda e com maus olhos com um terrorista de direita", argumentou o funcionário.
Para o governo colombiano, acrescentou, "não há diferença entre aquele que massacra em nome de um mundo melhor e aquele que massacra para defender a ordem vigente".