Moscou e Kiev voltam a trocar acusações sobre crise do gás
AGÊNCIA LUSA
Sábado, 03/01/2009 - 11:10
Moscovo - A companhia Naftogaz da Ucrânia declarou neste sábado que os comentários da Gazprom da Rússia sobre o problema do gás e da incapacidade de Kiev de garantir o abastecimento para a UE desacreditam a companhia ucraniana aos olhos dos clientes europeus.
Num comunicado emitido em Kiev, a Naftogaz se diz também disposta a conceder informação sobre o trânsito de gás russo a todas as partes interessadas, frisando que garante completamente o fornecimento de combustível azul à Europa.
A empresa ucraniana acusa também a Gazprom de chantagem.
“A incapacidade da Gazprom de realizar negociações em pé de igualdade conduziu à suspensão dos fornecimentos à Ucrânia e a um desequilíbrio do mecanismo de trânsito para a Europa”, aponta o documento.
Segundo a Naftogaz, esta posição da Ghazprom contradiz a prática universal das negociações e “lembra uma chantagem energética”.
“O reinício das negociações com a Naftogaz sobre os fornecimentos de gás à Ucrânia é, por enquanto, impossível, é necessário uma resposta adequada da parte de Kiev”, anunciou o vice-presidente da Gazprom, Alexandre Medvedev, de visita a Praga.
“A Rússia está pronta a cumprir os seus compromissos perante a União Europeia (UE) e tomará todas as medidas à disposição para obrigar a parte ucraniana a cumprir as suas obrigações relativas à passagem do gás destinado aos consumidores europeus”, acrescentou.
Repetindo o itinerário da delegação ucraniana, que começou na sexta-feira, Medvedev visitará Paris, Londres, Berlim, Viena e Bruxelas.
No dia 1º de janeiro, a Gazprom suspendeu o envio de gás à Ucrânia, alegando atraso de pagamentos e ausência de contrato sobre o abastecimento para 2009.
Na véspera, a empresa russa acusou as autoridades ucranianas de roubar gás, o que foi desmentido por Kiev.
“Desta vez, as conversações poderão ser bem mais longas, porque a Ucrânia possui reservas de gás para satisfazer as suas necessidades até à primavera”, declarou à Agência Lusa por telefone Vladimir Dolin, jornalista do canal de televisão Ukraina, acrescentando que “isso dá uma base de manobra mais sólida aos ucranianos”.
“Além disso, os políticos russos e ucranianos entraram de férias natalinas e as coisas só deverão começar a mexer realmente depois de 10 de janeiro”, concluiu.