Greve de professores na Guiné-Bissau já dura dois meses
AGÊNCIA LUSA
Sábado, 13/12/2008 - 18:12
Bissau - Vazio. É assim que se encontra a maior escola de Bissau, capital da Guiné-Bissau, com capacidade para oito mil alunos, que aguardam o início do ano letivo, apesar de ter sido oficialmente declarado aberto em outubro.
O Liceu Nacional Kwame N'Krumah espelha o que se passa nos outros estabelecimentos do ensino secundário e básico públicos do país, abrangendo cerca de 400 mil estudantes.
Na Guiné-Bissau o ano escolar não começou porque os professores reivindicam o pagamento de salários em atraso.
Os professores guineenses iniciaram em 5 de dezembro uma greve que só vai ser levantada depois do pagamento de quatro meses de salários em atraso.
Apesar de oficialmente aberto em outubro, os alunos nunca tiveram aulas, porque já naquele momento os professores não compareceram, exigindo os pagamentos em falta.
"O sindicato não tem moral para obrigar nenhum professor a ir dar aulas, com largos meses de salários em atraso", afirmou o presidente do Sindicato Nacional de Professores do país, Vença Mendes.
"O que se passa neste momento é inédito. As pessoas não trabalham e ainda exigem que o Estado pague", afirmou, por outro lado, o diretor do Liceu Kwame N'Krumah, José Júlio César.
"Estão a reivindicar, mas uma pessoa reivindica o que trabalha. Não trabalhando não pode exigir", disse.
"Só na Guiné-Bissau é que se pode admitir uma coisa dessas", lamentou, frisando que o ensino no país já está muito debilitado e que as coisas vão piorar.
"O prejudicado aqui é o povo, que não tem dinheiro para pagar as escolas privadas", afirmou o diretor, acrescentando um histórico de dez anos de greves no ensino no país.
O secretário-geral do Ministério da Educação Nacional, Carlos Pereira da Silva, disse à Agência Lusa que o "governo está a fazer um esforço" para tentar resolver a situação.
"O governo já conseguiu pagar um mês, mas os professores continuam relutantes em iniciar o ano lectivo", afirmou.