Regulamentação de carteira de estudante não garante melhores preços
Sexta-feira, 21/11/2008 - 18:59
Brasília - A regulamentação da carteira estudantil não é garantia de preços mais baratos para ingressos de espetáculos culturais. A avaliação é do ministro da Cultura, Juca Ferreira. Hoje (21), em entrevista à imprensa, o ministro disse que o “público terá de agir deixando de ir onde o preço for abusivo”.
Juca Ferreira considera que o “derrame de carteirinhas falsas” está gerando uma crise no setor, inviabilizando o acesso à cultura e a economia do espetáculo. Ele disse que o ministério vai aceitar o que for decidido pelo Senado, que na próxima terça-feira (25) deve votar o projeto de lei sobre o assunto.
Pelo projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a meia-entrada com a apresentação da carteira de estudante só terá validade nos dias de quinta-feira a sábado. Além disso, nem todas as instituições de ensino poderão emiti-las.
O ministro da Cultura defende que as carteirinhas sejam emitidas por um órgão como a Casa da Moeda, e que haja uma cota de ingressos para serem vendidos a preço de meia-entrada.
A proposta de cotas, de 30% a 40%, é rechaçada pela União Nacional dos Estudantes (UNE). A presidente da entidade, Lúcia Stumpf, disse que “essa é uma manobra dos empresários da cultura, que primeiro tentaram impor a venda de meia-entrada apenas nos dias úteis, e depois tentaram impor as cotas”.
Sobre o excesso de carteirinhas, Lúcia Stumpf disse que o problema foi gerado por uma medida provisória no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ela, a MP permitiu que qualquer instituição de ensino, como cursinhos de inglês ou pré-vestibulares, pudesse emitir a carteirinha.
Já o presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte), Sérgio Mamberti, acredita que a regulamentação das carteirinhas vai ter impacto relevante no preço final para o consumidor. “Eu, como artista, sei que o preço do ingresso muito alto afasta o público. E isso não é interessante para quem está se apresentando”, disse.