Chicago - O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, reuniu-se nesta segunda-feira com seu ex-rival republicano John McCain, com quem concordou em trabalhar em conjunto para "mudar" Washington, enquanto sua equipe de assessores deixou vazar à imprensa o mal-estar do futuro mandatário com as atitudes do casal Clinton.
"Neste momento de definição histórica, acreditamos que os norte-americanos de todos os partidos querem e necessitam líderes que se unam" para "mudar os maus hábitos de Washington" e resolver "os desafios urgentes de nosso tempo", indicaram em um comunicado conjunto Obama e McCain, após se reunirem no escritório do presidente eleito em Chicago.
Ambos destacaram o "espírito" e a "conversa produtiva" que mantiveram e seu acordo para o "lançamento de uma nova era" de reformas "visando restabelecer a confiança no governo e devolver a prosperidade e as oportunidades a todas as famílias trabalhadoras norte-americanas".
Por outro lado, os assessores de Obama expressaram seu mal-estar com o ex-presidente Bill Clinton e sua esposa Hillary, pela demora de ambos em apresentar um informe claro sobre suas finanças, quatro dias após o presidente eleito ter convidado à ex-primeira-dama para ser sua secretária de Estado.
A equipe de Obama expressou - de forma anônima - à imprensa norte-americana sua irritação pela reserva que os Clinton estão tendo sobre a divulgação de suas finanças, sobretudo porque temem que haja um conflito de interesses com a fundação do ex-presidente, que recebe doações de países estrangeiros.
O próximo governo norte-americano quer assegurar que as atividades da fundação Clinton Global Initiative - que arrecadou 30 bilhões desde 2005 para lutar contra doenças como a Aids e contra a pobreza na África - não comprometam a independência do Departamento de Estado frente governos estrangeiros.
Os assessores de Obama deixaram claro que o presidente eleito não fará oficialmente seu convite à senadora Clinton até que o tema não seja esclarecido.
Os analistas consideram que os Clinton irão informar de maneira clara o estado de suas finanças nos próximos dias, frente o temor de que Obama ofereça o cargo a uma outra pessoa.
Obama se reuniu na última quinta-feira com a ex-primeira dama e na sexta-feira recebeu outro de seus ex-rivais das primárias democratas, o governador do Novo México, Bill Richardson, a quem diversas organizações hispânicas apoiam para assumir a chefia do Departamento de Estado.
Richardson foi embaixador dos Estados Unidos junto às Nações Unidas durante a presidência de Bill Clinton e logo após ter renunciado à corrida pela nomeação presidencial democrata apoiou a candidatura de Obama, o que lhe valeu duras críticas dos aliados dos Clinton, os quais o trataram publicamente de "Judas".
O diário Wall Street Journal apontou na segunda-feira que McCain, que ocupa uma cadeira no Senado, poderia ajudar o presidente eleito a aprovar leis em favor do meio-ambiente e a reforma migratória.