Bogotá - O governo da Colômbia decretou estado de emergência nesta segunda-feira por causa da calamidade econômica e social provocada pela quebra de esquemas de "pirâmides" financeiras no país.
O anúncio foi feito pelo ministro do Interior e Justiça, Fabio Valencia, que deu informações a respeito da assinatura de quatro decretos que aumentam as penas de prisão para os responsáveis das associações que promoveram esse esquema de corrupção.
Valencia pediu aos colombianos "muita calma, muita colaboração com o governo", e recordou que as intervenções federais nas "pirâmides" -- captação de divisas através de promessas de alto rendimento -- têm por objetivo "salvaguardar" o dinheiro dos aplicadores que tiveram seu dinheiro roubado por agências ilegais.
A Constituição da Colômbia permite a declaração de estado de emergência em casos que possam perturbar ou ameaçar gravemente a ordem econômica, social ou ecológica do país.
O tema das 'pirâmides' tomou dimensões sociais e econômicas de ordem pública depois que várias agências resolveram fechar sem devolver o dinheiro corrigido a seus aplicadores.
Duas pessoas morreram e outra se suicidou depois que foi anunciado o fechamento da maior agência do setor na Colômbia, a Dinheiro Rápido, Fácil e Efetivo (DFRE), que conta com 66 lojas no país em 12 departamentos (estados).
Até hoje, as autoridades apreenderam cerca de US$ 41 milhões da DFRE (propriedade de Carlos Alfredo Suárez), e se prevê que, desse montante, sairá o dinheiro para indenizar os aplicadores roubados.
Nesta madrugada, o governo ordenou também o fechamento das sedes da empresa DMG, que tem 59 estabelecimentos em 20 departamentos do país.
A agência é propriedade de David Murcia Guzmán, que disse à rádio La W que acata a decisão do governo, mas discorda, porque "tudo o que está acontecendo é inconstitucional e ilegal, e os juízes da República é que determinarão a validez dessas decisões".
Na semana passada, Guzmán disse que o presidente Álvaro Uribe agiria de forma "arbitrária" caso ordenasse o fechamento de suas lojas, e hoje pediu que o chefe de governo "busque uma saída negociada para a crise".
Atualmente, a DMG tem 200 mil famílias afiliadas a seu sistema de carnês, que permitem a compra de produtos abaixo do preço de mercado.
O ministro do Interior e Justiça disse que a idéia do governo é "devolver até onde seja possível" o dinheiro arrecadado pelas 'pirâmides', e pediu aos aplicadores que "entendam que o governo os está protegendo, tomando medidas com cautela. Eles devem apoiar as medidas do governo, que está trabalhando em benefício deles mesmos".